Banco Master - Rovena Rosa/Agência Brasil A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), ampliou o alcance político do escândalo do Banco Master ao atingir o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A operação reforça a avaliação de que as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro podem alcançar figuras influentes da esquerda, do Centrão e da direita.

Antes de Wagner, já haviam sido alvo de buscas autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça o senador Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Por outro lado, o presidenciável e senador Flávio Bolsonaro (PL) também foi alvo da divulgação de áudios em que ele pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na opinião do cientista político Carlos Eduardo Bellini, os desdobramentos da investigação envolvendo Vorcaro podem ter consequências para os todos os espectros políticos. “(O caso do Banco Master) é um escândalo sistêmico e é possível enxergar, através dessa amostragem inicial, que pessoas de diferentes ideologias estão sendo atingidas. Então é possível deduzir que será um tema relevante na eleição”, disse.

Para Bellini, caso a Polícia Federal aceite uma eventual delação premiada de Vorcaro, o resultado pode ser ainda mais imprevisível. “É uma negociação que ainda está em curso e não podemos descartar a possibilidade de um acordo ser firmado. Isso pode ganhar uma dimensão ainda maior na agenda da eleição”, continuou.

O cientista político Alison Ribeiro ponderou que o caso atingiu não apenas os principais nomes ao Palácio do Planalto, mas toda a classe política. “Toda a classe está exposta novamente em um grande escândalo de corrupção, em que, mais uma vez, todos os partidos tinham grandes membros envolvidos”, frisou.

Ainda de acordo com o especialista, ainda não é possível cravar os reais estragos que o caso Master pode trazer para a eleição de outubro. “É cedo para dizer, pois uma coisa é um pré-candidato à presidência da República (Flávio Bolsonaro) ser flagrado nesse esquema; outra é o líder do governo no Senado, mesmo que ele seja muito próximo ao presidente Lula (PT). E quanto mais tempo o presidente da República estender a permanência do líder do governo no Senado, mais difícil vai ser explicar o porquê não ter tido ainda o afastamento do senador e, consequentemente, tentar dirimir esse desgaste político que ele venha a sofrer”, concluiu.