Documento do Departamento de Estado enviado a Brasília tinha rasuras com “Brazil” e um trecho em que o Brasil foi trocado por Equador.
Os Estados Unidos trataram o Brasil como “country X” e “Equador” em uma proposta oficial de memorando de entendimentos sobre cooperação em minerais críticos e terras raras enviada a Brasília pelo Departamento de Estado. O documento provocou incômodo entre negociadores brasileiros por indicar, na avaliação deles, pouco cuidado de Washington com uma parceria estratégica. Com informações da CNN Brasil.
A minuta americana tinha menções à expressão “country X”, em inglês, com rasuras e a palavra “Brazil” escrita em seguida. Em um trecho específico, o texto trocou o Brasil pelo Equador, falha interpretada no governo Lula como sinal de que a proposta seguiu um modelo de “corta e cola” aplicado a vários países.
As discussões entre Brasil e Estados Unidos sobre um possível acordo mineral começaram, mas não registraram avanços significativos até agora. A negociação ocorre enquanto o governo de Donald Trump ameaça impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, em meio a uma agenda comercial mais agressiva de Washington.
O Departamento de Estado encaminhou a proposta em janeiro, poucos dias antes de uma reunião em Washington, em 4 de fevereiro, com representantes de 54 países para tratar da cadeia produtiva da mineração e do fornecimento de matérias-primas a empresas americanas.
No encontro de fevereiro, os Estados Unidos assinaram memorandos de entendimentos com 11 países, entre eles Argentina, Paraguai e Equador. Integrantes do governo brasileiro criticaram a falta de adaptação do texto às características do Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China.
Outro ponto que gerou resistência em Brasília foi a previsão de que o acordo teria “non-binding nature”, ou seja, natureza não vinculante. Na prática, o memorando não teria validade jurídica nem exigiria incorporação às leis nacionais ou a normas internacionais, mas poderia servir como instrumento de pressão política em eventual divergência.
Em uma frente paralela, o Itamaraty iniciou conversas com o USTR, o escritório do representante comercial da Casa Branca, em uma negociação mais técnica. Essa trilha discutia temas como a definição de preços mínimos no fornecimento de terras raras.
As conversas perderam força depois que a americana USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde, em operação anunciada em abril e fechada por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), é a única empresa brasileira já em produção de terras raras e firmou um contrato offtake de 15 anos para garantir fornecimento ao mercado americano.
Funcionários brasileiros avaliam que a compra reduziu o interesse do USTR em avançar com um acordo mais amplo com o Brasil. Procurada nesta quarta-feira (01), a embaixada dos Estados Unidos em Brasília não respondeu até o momento.




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