Dia desses, deu na telha de Paulo Vieira perguntar se o pai, Luiz (com “z” mesmo) Antônio da Silva, tinha assistido à série “Pablo & Luisão”, inspirada nas aventuras do empreendedor com seu melhor amigo. Ele confirmou, meio que desconversando. E Paulo quis saber quantos episódios, dos 14 disponíveis no Globoplay desde maio do ano passado, o pai tinha visto inteiros. Ele respondeu: “Vi até aquele lá do padre” (“Padre trambiqueiro”, com Miguel Falabella interpretand

Dia desses, deu na telha de Paulo Vieira perguntar se o pai, Luiz (com “z” mesmo) Antônio da Silva, tinha assistido à série “Pablo & Luisão”, inspirada nas aventuras do empreendedor com seu melhor amigo. Ele confirmou, meio que desconversando. E Paulo quis saber quantos episódios, dos 14 disponíveis no Globoplay desde maio do ano passado, o pai tinha visto inteiros. Ele respondeu: “Vi até aquele lá do padre” (“Padre trambiqueiro”, com Miguel Falabella interpretando o personagem-título, é o segundo episódio da primeira temporada). “Mas o senhor só viu os dois primeiros que a gente exibiu na pré-estreia?!”, indagou o filho, surpreso.

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— Aí meu pai arrematou: “É... O bom é que eu vejo tudo agora na Globo!”. Então, eu fico feliz que a TV aberta vá passar “Pablo & Luisão”, pro meu pai finalmente assistir à série inteira — brinca o criador, redator final e narrador da obra que começa a ser exibida nesta terça-feira, dia 7 (e terá um episódio indo ao ar sempre às terças e quintas-feiras), após “Quem ama cuida”: — Obviamente, meu pai teria visto no streaming se alguém conectasse, colocasse a senha e desse o play pra ele. Agora, é só não desligar a televisão, que ele vê.

Estrelada por Ailton Graça (Luisão, o pai), Otavio Muller (Pablo, o amigo do pai) e Dira Paes (Conceição, a mãe), a produção que tem direção artística de Luis Felipe Sá reproduz fatos (sur)reais que Paulo e sua família vivenciaram no passado, desde quando ele e o irmão, Neto, eram crianças (os meninos Yves Miguel e João Pedro Martins os interpretam, respectivamente, na infância). A parceria da dupla de protagonistas para criar e colocar em prática os planos mais mirabolantes rende uma sequência de histórias tão engraçadas quanto emocionantes.

— Assim como na vida, misturamos tragédia e comédia. Desde a leitura dos roteiros até assistindo aos episódios já prontos, a gente se percebia rindo e chorando, dando uma gargalhada enquanto escorria uma lágrima — lembra Dira Paes, que vem sendo comparada à Dona Nenê (Marieta Severo), de “A grande família”, por ser a matriarca desse novo clã cômico da teledramaturgia: — Marieta é uma grande inspiração pra mim. Esse paralelo é lisonjeiro. A gente espera matar a saudade dessa nova geração, cavucando espaço nos corações mais rígidos.

As enrascadas são muitas e hilárias: desde conviver em casa com um galo arredio chamado Pica-Pau (o nome já entrega a piada); passando por cultivar em Palmas, no Tocantins, uma fruta originária da Tailândia, ameaçando o ecossistema da cidade; até se mudar com toda a família para uma sala comercial envidraçada, sem banheiro nem privacidade, a fim de economizar. No encerramento de cada episódio, o espectador confere os depoimentos dos verdadeiros Pablo, Luisão e Conceição, analisando os fatos contados.

— Eu não escolhi narrar essas histórias pelo prisma da comédia. A minha família fez essa escolha. Elas são contadas e repetidas todo almoço de domingo lá em casa. Você saberia de toda a primeira temporada de “Pablo & Luisão” numa visita. Meu pai falaria: “Sabe essa cerca elétrica aí?”, e viria à tona a situação do primeiro episódio. Aí minha mãe emendaria: “E aquela vez em que nós moramos na sala comercial? Nunca te contei?!”. A gente passa cinco, seis horas relembrando — relata Paulo, explicando como pensou na escalação do elenco: — Eu precisava que fossem atores relacionados à comédia, para não se afetarem. O comediante tem essa capacidade de ir no lodo e tratar como parte natural da vida, não tem pena de si mesmo.

Ailton Graça confirma a união que faz a força na série:

— Somos uma trupe, funcionamos muito bem nessa coisa mambembe. E Paulo não só escreveu os roteiros, como vinha palpitar nas gravações: “Aqui meu pai fez assim e assado”. São detalhes que mudam tudo. A gente recriava coletivamente.

Otavio Muller cita os agregados, que vieram para abrilhantar ainda mais as narrativas:

— Temos muitas participações especiais. Isso talvez seja outra estratégia amorosa, afetiva de “Pablo & Luisão”: as pessoas pedem para participar, de tanto que gostam da série.

Já gravando a segunda temporada, que terá mais dez episódios a serem lançados até o fim deste ano no Globoplay, Paulo Vieira agora celebra que “Pablo & Luisão” alcance de forma ainda mais abrangente todos os cantos do país pela televisão aberta. E espera que os brasileiros se identifiquem com personagens tão de verdade:

— O elemento universal que conecta as pessoas a “Pablo & Luisão” é o erro. Essa ideia de perfeição com que a gente tem lidado nos últimos tempos pressiona a nossa humanidade. Eu fiz questão de que eles fossem imperfeitos. “Ninguém presta ali”, a gente brinca. Eu abro o coração e exponho a minha própria família, os problemas que até me machucaram, mas dos quais eu segui rindo pela vida. Não existe conexão verdadeira sem exposição.