Enquanto 48 países competem no mundial de 2026, dados mostram que todos os grupos têm pelo menos uma nação envolvida em conflitos
A Copa do Mundo costuma ser campo para grandes rivalidades esportivas, mas, entre os países classificados para o evento de 2026, algumas disputas já foram muito além dos gramados. Em diferentes períodos da história, várias dessas nações se envolveram em guerras entre si.
A Copa do Mundo costuma ser campo para grandes rivalidades esportivas, mas, entre os países classificados para o campeonato de 2026, algumas disputas já foram muito além dos gramados. Em diferentes períodos da história, várias dessas nações se envolveram em guerras entre si. pic.twitter.com/hzLa2MzDP8
Comparando as chaves do mundial e os dados do Observatório das Guerras da Academia de Genebra (War Watch), todos os 12 grupos têm pelo menos um país envolvido em alguma guerra.
Um bom exemplo de conflito entre países que se misturou ao esporte é a chamada "Guerra do Futebol", em 1969, quando uma partida das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970 serviu de motivo para explodir uma guerra de quatro dias entre El Salvador e Honduras.
Outras guerras já entraram em campo, como quando Argentina e Inglaterra competiram na Copa de 1986, o que foi visto pelos argentinos como uma revanche simbólica da Guerra das Malvinas, de 1982.
Ao iG, o historiador e professor Carlos Gabriel Faria Rabelo conta que as rivalidades costumam ganhar força porque as seleções nacionais são vistas como uma representação do próprio país.
O esporte também já foi usado por governos como ferramenta política. Segundo Rabelo, a Copa do Mundo de 1970 foi usada pela ditadura civil-militar brasileira para aumentar o discurso nacionalista da época.
Quando a Seleção Brasileira não está em campo, muitos torcedores acabam torcendo para os países com os quais o Brasil tem maior identificação histórica ou cultural, como outras seleções latino-americanas ou africanas em jogos contra grandes potências europeias.
Rabelo diz ainda que os jogos entre seleções frequentemente carregam marcas de disputas étnicas, culturais e territoriais. Segundo ele, a própria FIFA já adotou medidas para evitar o aumento de tensões políticas, como a participação de Israel nas eliminatórias europeias em vez das asiáticas, por causa das rivalidades com países árabes.
Mais recentemente, o Observatório das Guerras registra 100 conflitos armados no mundo todo entre julho de 2024 e dezembro de 2025. Um deles é entre o Irã e os Estados Unidos, dois dos classificados, que estão atualmente em uma guerra com diversos desdobramentos desde abril de 2025.
O conflito começou quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 23 de abril do ano passado. Em retaliação, o país passou a fazer ataques contra países do Oriente Médio que sediam bases militares estadunidenses. Na sequência, diversas ações militares aconteceram até este ano, quando novos acordos de cessar-fogo são discutidos.
Para Rabelo, quando dois países com disputas históricas se enfrentam em campo, a partida costuma ganhar um significado que supera o resultado do jogo.
Em contrapartida, ele ainda lembra que o então capitão da seleção da Costa do Marfim ajudou a fazer um apelo pela paz durante a guerra civil do país. Outro exemplo positivo é o do Irã e Estados Unidos na Copa de 1998, quando as seleções fizeram um gesto de respeito entre si com troca de flores e foto juntos antes do jogo.
Várias nações classificadas para o mundial deste ano já ficaram de lados contrários durante a Segunda Guerra Mundial. Entre os países que disputam hoje a competição, de um lado estiveram os países do Eixo, liderados por Alemanha e Japão, e de outro, os Aliados, que eram formados principalmente por Reino Unido, França e Estados Unidos.
O grupo do Eixo tinha em comum a vontade de expandir os seus territórios e também guerras por recursos, contra a dominância das grandes potências do ocidente, como o Império Britânico.
Na guerra, esses blocos se enfrentaram em diferentes momentos, como a Alemanha Nazista contra Reino Unido, França e Estados Unidos na Europa, e o Japão Imperial contra Estados Unidos, Reino Unido e aliados no Pacífico e Sudeste Asiático.
Com os conflitos internacionais, a Copa do Mundo da FIFA já chegou até a deixar de ser realizada em 1942 e 1946 por causa dos conflitos da guerra e dos efeitos que teve sobre os países envolvidos.
Entre os países classificados para a Copa de 2026, várias seleções carregam históricos de confrontos militares entre si. Veja alguns deles:


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