Jogador português superou origem difícil para chegar ao topo do mundo.
Por Alysson Huf, especial para a Gazeta do Povo
Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleCristiano Ronaldo: da origem humilde ao topo do mundo. (Foto: EFE/EPA/SAM WASSON)Ouça este conteúdo
Com cinco Bolas de Ouro, títulos por Manchester United, Real Madrid, Juventus e seleção portuguesa, além de recordes individuais que o colocam entre os maiores jogadores da história, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro — o CR7 — ajudou a transformar o futebol. No entanto, essa possibilidade de um futebol sem o camisa 7 mais famoso do século esteve muito, muito perto de não acontecer.
Nascido em 5 de fevereiro de 1985, em Funchal, capital da Ilha da Madeira, em Portugal, o “robozão” passou a infância num cenário bem diferente do ambiente de fama e reconhecimento internacional em que vive atualmente.
Em meio à situação precária,a mãe de Cristiano, Maria Dolores Aveiro, chegou a tentar interromper a gravidez.
Na época, ela tinha 30 anos, já era mãe de três filhos e vivia em uma família com poucos recursos. Seu marido, José Dinis Aveiro, enfrentava problemas com alcoolismo que levavam muita instabilidade para dentro de casa.
Sem perspectiva de conseguir dar uma vida digna ao novo filho, Dolores chegou a procurar um médico, mas não conseguiu realizar o aborto. Também contou ter recorrido a métodos caseiros. Felizmente, sem resultado.
Após as tentativas, Dolores, decidiu que levaria a gravidez adiante. Ela ficou receosa de que suas tentativas de interromper a gravidez tivessem afetado o desenvolvimento do feto, mas o bebê nasceu perfeito. “Uma coisa que eu lembro foi quando o médico disse: ‘Esse bebê tem peso de jogador’. E eu pensei: ‘Será que ele vai ser um jogador?’”, contou ela numa entrevista à ESPN.
O nome do recém-nascido, Cristiano, foi sugerido por uma tia, irmã de Dolores, justamente por ele ter vindo ao mundo apesar das tentativas de aborto, um fato entendido pela família — devotamente católica — como um sinal de vontade superior. Já o nome “Ronaldo” foi escolhido pelo pai, admirador de Ronald Reagan.
Antes de se tornar um personagem global, Cristiano foi o quarto filho de uma casa pobre, em uma ilha distante dos grandes centros do futebol europeu.
CR7 cresceu em Santo António, região humilde de Funchal. A mãe trabalhava como cozinheira e empregada de limpeza. O pai era jardineiro municipal e também atuava como roupeiro no Andorinha, clube local de futebol.
A Ilha da Madeira tem uma relação particular com Portugal continental. É território português, mas está a centenas de quilômetros de Lisboa.
Para um menino que sonhava com futebol profissional, isso representava uma distância inimaginável. O caminho até os grandes clubes era mais difícil do que para uma criança criada perto dos centros esportivos do país.
O pai teve papel importante no início da ligação de Cristiano com a bola. Por trabalhar no Andorinha, aproximou o filho do clube. Cristiano começou ali, ainda criança. A relação com o pai, porém, também tinha marcas difíceis. José Dinis Aveiro enfrentou o alcoolismo e morreu em 2005, por complicações hepáticas, quando Cristiano tinha 20 anos e apenas começava a se consolidar no Manchester United.
Anos depois, Cristiano falou sobre a dor de não ter convivido plenamente com o pai. Segundo ele, os dois nunca tiveram uma conversa profunda. Ao mesmo tempo, Cristiano reconhece a importância dele em seus primeiros passos no futebol.
A infância de Cristiano Ronaldo foi marcada por uma relação quase exclusiva com o futebol. Pessoas próximas relatam que ele se interessava pouco pelos estudos e muito pela bola.
O padrinho Fernão Barros Sousa, ligado ao Andorinha, contou que Cristiano já chamava a atenção desde cedo pela habilidade e pela competitividade.
Aos oito anos, entrou nas categorias de base do Andorinha. Depois, passou pelo Nacional da Madeira. Ali, seu talento começou a ficar mais evidente. Técnicos e conhecidos da época relatam que ele já tinha drible, velocidade e facilidade para marcar gols.
Ainda era impossível prever que se tornaria um dos maiores jogadores do mundo, mas já era claro que não era uma criança comum dentro de campo.
A grande ruptura veio aos 12 anos, quando Cristiano deixou a Madeira para jogar nas categorias de base do Sporting, em Lisboa. A mudança era uma oportunidade rara, mas também significava sair de casa muito cedo.


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