A Polícia Federal investiga se uma sacola que o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirma ter transportado em um voo para Brasília, em 6 de agosto de 2024, seria destinada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Leia mais (06/24/2026 - 09h00)
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24.jun.2026 às 9h00 Atualizado: 24.jun.2026 às 15h53
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A Polícia Federal investiga se uma sacola que o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirma ter transportado em um voo para Brasília, em 6 de agosto de 2024, seria destinada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A informação foi publicada inicialmente pelo portal ICL Notícias e obtida pela Folha por meio dos documentos da investigação e de entrevista com o piloto.
Mattosinho trabalhou na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba) e afirma ter transportado regularmente o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, alvo de operação por fraudes no setor de combustíveis.
A investigação da PF apontou que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enviou ao operador financeiro Fabiano Zettel a mensagem: "Resolve Ciro e galerias hoje / Manda agora la". Em resposta, Zettel encaminhou uma lista de pagamentos pendentes, na qual aparece a anotação "Espécie Ciro 350k".
De início, a polícia afirma ter acreditado que as mensagens teriam sido enviadas na mesma data da viagem; no entanto, os investigadores posteriormente constataram que a conversa se deu no dia 6 de agosto de 2025, exatamente um ano depois.
"A correção ora comunicada não implica juízo conclusivo acerca da materialidade ou da destinação dos valores mencionados, tampouco invalida outras análises", afirmou a PF sobre o erro.
Procurado por WhatsApp desde a manhã de sexta-feira (19), Ciro Nogueira ainda não se posicionou.
A defesa de Daniel Vorcaro disse que não irá comentar.
Advogados de Roberto Leme afirmaram à reportagem que nega qualquer transporte de recursos, bem como qualquer vínculo com Vorcaro, e diz que o empresário "nunca sequer deu um 'bom dia' ao ex-banqueiro ou pessoas ligadas a ele.
Já a empresa TAP afirma que desconhece os fatos noticiados e que sua operação está "de acordo com a legislação pertiente, seguindo rigorosas regras de compliance".
Em declaração encaminhada à PF, Mattosinho relata que, em 6 de agosto de 2024, fazia o trajeto São Paulo-Brasília na aeronave PR-SMG quando recebeu do gestor uma sacola de papel que deveria receber "cuidado especial" porque continha "grana".
Segundo o piloto, o peso e o formato da embalagem o fizeram concluir que havia dinheiro em espécie no interior. "Eu fiz aquele vídeo no intuito de demarcar que eu não estava maluco", disse posteriormente à PF.
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Ao pousar em Brasília, Mattosinho afirma que permaneceu na cabine enquanto os passageiros desembarcavam. Foi nesse momento, segundo ele, que ouviu Beto Louco perguntar a um funcionário se "estava tudo certo com o Ciro" e se "o senador Ciro já estava aguardando a gente".

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