Ventura roeu a corda e a lei laboral foi para o lixo. O Governo agora inventa fundos soberanos para distrair o povo, só se esqueceu de avisar onde é que anda o petróleo.
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E o "Vencedor" é das manhãs 360 que pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais e site do Observador. Carla, esta segunda-feira estão conosco o José Manuel Fernandes, o Luís Rosa, o Bruno Vieira Amaral e também o Paulo Ferreira.
E ainda estamos com os ecos de sexta-feira e do chumbo da Lei Laboral. José Manuel, encontras aqui algum vencedor?
Não, porque quando nós precisamos de mudar alguma coisa, há sempre resistências, é normal. Nós sabemos que em qualquer coisa da nossa vida as mudanças geram sempre desconforto. E neste caso concreto, uma mudança implicaria alguns hábitos novos, mas creio que foi repetido 300 mil vezes: nós temos uma das legislações laborais que, de acordo com todos os estudos, tem aspetos de excessiva rigidez, é das mais rígidas da OCDE, e isso não ajuda a aumentar a produtividade, a reorganizar o trabalho, a tirar partido daquilo que são as mudanças que estão a ocorrer, designadamente na área da tecnologia. E muitas das coisas que se queriam e que inclusivamente se desejava pôr na lei, são coisas que na prática já se praticam, mas de forma ou irregular, ou pouco organizada, ou às vezes mesmo com prejuízo para as partes, designadamente para a parte dos trabalhadores.
A questão do banco de horas é uma delas, informalmente. Nas empresas, as pessoas combinam: "Amanhã preciso de duas a três horas, depois compenso no outro dia."
Ou posso trabalhar amanhã e depois dou outro dia, coisas desse gênero. Portanto, são coisas que ocorrem muito informalmente.
Que as pessoas estão mais cansadas do que a lei.
Exatamente. Nós ainda somos um país de pequenas e médias empresas. Nas grandes empresas não há tanta noção, ou pode haver menos a noção de proximidade com as dificuldades de um negócio, mas na maior parte das pequenas e médias empresas tem-se noção de que, ou todos de alguma forma remam pro mesmo lado, ou então aquilo pode desaparecer. Não é o Estado, o Estado é diferente. E o Estado acha-se que o bolso do contribuinte é infinito e portanto aguenta tudo. Já vimos algumas vezes no passado que não é assim. Vemos todos os dias que isso muitas vezes se traduz em complicações adicionais, porque há mais camadas de Estado a vencer pra conseguir fazer alguma coisa produtiva. Mas neste caso concreto da legislação laboral, poderia haver aspetos na lei melhoráveis. A questão das férias, na minha perspetiva, não tinha que ser obrigatoriamente daquela dimensão, mas não interessa, podia-se ir andando, podia-se ir melhorando, há muito caminho pra fazer. O bloqueio, que é desde a primeira hora, vale a verdade, a posição da CGTP e do PCP. O PCP e a CGTP estão há anos na política de trincheiras, quer dizer, enfiam-se numa trincheira e não saem de lá de maneira nenhuma. O PS acabou por ficar amarrado à posição da UGT. Nós, de resto, olhamos para os dirigentes sindicais. Curiosamente, neste momento, o dirigente sindical mais novo é da CGTP. Mas é a exceção que mostra a regra, porque depois olhamos para os dirigentes dos vários sindicatos e não é assim. E percebemos que são pessoas que muitas vezes estão há dezenas de anos. Não é há alguns anos, é há dezenas de anos fora das empresas. Algumas quase nunca estiveram em empresas, porque são dirigentes da administração pública ou de setores dominados por empresas públicas. E aqueles em que devíamos pensar, que são sobretudo os mais novos, são aqueles que têm mais dificuldades. E os dados não enganam. Portugal tem uma das produtividades, que é produto por hora, das mais baixas da Europa, em boa parte porque as pessoas estão muitas horas nos locais de trabalho, às vezes não sei se estão a trabalhar. A rigidez não ajuda a resolver estes problemas. Portanto, o país perdeu porque não se mexeu na lei. A oposição ficou onde está e gritou vitória, talvez aí haja vencedores, mas do ponto de vista deles. Do ponto de vista do Chega, eu confesso que tenha dificuldade em perceber qual é aquilo que motivou em tomar análise André Ventura. Veremos talvez nos próximos tempos o que é que de fato o levou a tomar essa decisão. O PSD, que parecia ter reencontrado um discurso, aquele discurso inicial do pisca-pisca, ora pisca à direita, ora pisca à esquerda, acabou por ficar também algo desorientado. E sobretudo, acho que há aqui uma coisa que nós devemos perceber. Agora, finalmente, ao fim desta discussão toda, parece começar a haver um discurso da parte do PSD e do governo de forte apoio à legislação laboral. Mas durante meses e meses, o que nós víamos era a ministra Paula Ramalho absolutamente abandonada a defender a sua dama e pouca gente a fazer o combate político. E isto é um tema, é aquilo que distingue um partido verdadeiramente reformista dos outros. Não é um partido apenas que tenta fazer reformas, é um partido que luta por elas pra ganhar a opinião pública, coisa que o PSD fez muito pouco, e o governo fez muito pouco ao longo deste tempo todo, e não é só nesta frente. Parece que só se pode apresentar reformas que sejam populares e, portanto, só se pode apresentar coisas que piscam o olho às pessoas. Ontem houve mais uma, aquela do banco soberano.
Fundo soberano, quando se fala de dinheiro, é preciso falar de dinheiro pra toda a gente ficar animada.
Isso é popular. Acho que a maior parte das pessoas nem sabe muito bem o que isto é, nem nunca vai saber.
Mas há sempre uma ideia, que curiosamente tem muito pouco a ver com o PSD, que é escolher os campeões nacionais criando um fundo para os financiar.
Não sei se é esse o objetivo.
Não sei se é esse o objetivo, logo veremos. A única coisa que vemos que acontece, houve alguém que disse, foi a ministra Paula Ramalho, que ainda poderiam voltar novamente à carga com o pacote laboral, que não iam desistir. Veremos. Simplesmente, o tempo passa e o tempo deste governo torna-se cada vez mais difícil, porque entretanto pisca à direita e pisca à esquerda, vai queimando pontes à direita e à esquerda, e o diálogo é cada vez mais complicado. Vamos ver como é que corre a eleição do Provedor de Justiça. É mais um teste. E essa eleição é muito importante. O PS também não se portou bem, deixou que faltassem deputados no dia decisivo da votação, mas vamos ver como é que tudo se compõe no final. É a situação em que estamos. Não sei que nota quero dar, mas vou dar a André Ventura um zero. Acho que ele até deixou desconcertados os membros da sua bancada. Desconcertados, mas obedientes, claro, porque naquele partido não há .
Um zero então para André Ventura. Bruno, o que é que sai de facto desta reviravolta dramática? Porque tudo levava a crer, nomeadamente pelas declarações do próprio André Ventura, de que o pacote laboral ia ser viabilizado. E de Hugo Soares também.
Eu até o paguei como garantido na véspera.
E por isso há aqui uma coisa clara: sai o governo derrotado, sai o PSD derrotado de toda esta negociação e desse volte face, que nós aqui na sexta-feira falámos ainda dessa possibilidade, mas dificilmente-
Ana Salés, diga-se aqui, que disse que até à hora da votação muita coisa podia acontecer.
Falámos dessa possibilidade aqui, porque o Chega já nos habituou a estas reviravoltas, que já não são inesperadas, porque acontecem tantas vezes que acabam já por não ser inesperadas. Mas depois das declarações de André Ventura e das declarações de Hugo Soares, de facto, mesmo assim acabou por ser inesperado e eu disse aqui que seria uma vitória para o governo a aprovação. Não sendo aprovada, é uma derrota para o governo. Eu acho que é isso que se tira do que aconteceu na sexta-feira. A esquerda ganhou, mas não se vê como é que poderá capitalizar esta vitória, não só por ter tido o apoio e ter necessidade dos votos do Chega para cantar vitória, mas também porque não se percebe muito bem quem é que dentro da esquerda poderia ou poderá capitalizar esta vitória. A CGTP ou o PCP por arrasto.
Hoje, ao final da tarde, vai haver uma marcha, uma manifestação promovida pela CGTP ou pelo PCP, um processo de congratulação.
Para capitalizar mais uma vez.


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