Advogado é alvo da Operação Distrato, que investiga um suposto esquema de comercialização fraudulenta de créditos de ICMS; agentes do MP-SP e da Polícia Civil permanecem no local
Compartilhar matériaA Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cumprem, na manhã desta quarta-feira (15), um mandado de busca e apreensão na casa do advogado Nelson Wilians, localizada no bairro dos Jardins, na capital paulista.
Equipes dos órgãos permaneceram durante toda a manhã, até por volta das 11h30, na mansão de luxo durante o cumprimento da medida judicial, autorizada no âmbito da Operação Distrato, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes tributárias em ICMS.
A operação foi deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), formado pela Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), com apoio das polícias Civil e Militar.
Segundo o MP-SP, um dos principais núcleos investigados é ligado ao grupo econômico de Nelson Wilians. O escritório do advogado também está entre os alvos das buscas.
As investigações apuram um suposto esquema de comercialização fraudulenta de créditos de ICMS. De acordo com a apuração, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas créditos tributários sem respaldo legal, apresentados como parte de planejamentos tributários, para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado.
Segundo a Secretaria da Fazenda, a fraude levou à constituição de mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários contra 752 empresas.
Ao todo, a Operação Distrato cumpre 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé. A investigação apura, entre outros crimes, organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.
À CNN, o escritório de Nelson Wilians afirmou estar colaborando com as autoridades.
"O escritório recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos".
"Esclarecemos que não existe, e jamais existiu, qualquer vínculo societário entre Mayra Fahur de Paula e o advogado Nelson Wilians, ou entre seus respectivos escritórios.
A relação mantida foi uma parceria técnica pontual para a prestação de serviços específicos, já encerrada. O De Paula Advogados é uma banca autônoma, com governança e estrutura independentes.
A participação do De Paula Advogados em parcela ínfima das operações em questão se deu estritamente no âmbito técnico-jurídico, como um dos elos de uma complexa cadeia de serviços que foi idealizada, estruturada e comercializada por terceiros. A tentativa de atribuir responsabilidade integral ao nosso escritório distorce a realidade e busca fazer ignorar a atuação dos demais e principais envolvidos.
O escritório e sua sócia estão à inteira disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborando ativamente para a correta apuração dos fatos. Acreditamos que a verdade prevalecerá por meio da análise técnica e isenta dos documentos e provas.
Temos plena confiança de que, no foro adequado, nossa conduta profissional, pautada pela boa-fé e ,pela legalidade, será comprovada. Todas as medidas judiciais cabíveis para a defesa de nossa reputação e para a correta responsabilização de todos os agentes envolvidos já estão sendo tomadas.
Reafirmamos nosso compromisso com nossos clientes, com a advocacia ética e com a verdade."
O espaço seguirá aberto para demais comentários de todos os envolvidos.




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