A seleção já tentou adotar as cores da bandeira do país, mas voltou atrás depois de uma sequência de maus resultados. Entenda como o azul virou marca do time.

Priorizar nos meus resultados Google De virada, o Brasil venceu o Japão por 2 a 1 nesta segunda-feira (29), no Houston Stadium, no Texas (EUA), e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. 

A partida também marcou a oitava participação consecutiva dos japoneses em Mundiais, uma sequência iniciada justamente em sua estreia na competição, na França, em 1998.

Quem acompanhou o jogo talvez tenha estranhado que, em vez da tradicional camisa azul, a seleção japonesa entrou em campo com um uniforme branco, decorado com listras coloridas. Mas esse é apenas um modelo alternativo. 

Há décadas, o azul é a principal marca da equipe, apesar de a bandeira do Japão ser branca, com um círculo vermelho no centro. Mas por que o uniforme principal da seleção não segue as cores do símbolo nacional?

Não há uma explicação única para isso. A mais aceita remonta a 1930, quando o Japão participou dos Jogos do Extremo Oriente, competição que reunia países asiáticos antes mesmo da criação da Copa da Ásia.

Na época, o futebol ainda dava seus primeiros passos no país. Em vez de convocar jogadores de diferentes clubes, o Japão foi representado por uma equipe da então Universidade Imperial de Tóquio (atual Universidade de Tóquio). 

Como os atletas já utilizavam uniformes azul-claro pela instituição, entraram em campo com essa mesma cor. A participação foi considerada bem-sucedida, e o azul passou a ser associado à seleção japonesa.

Essa é a origem mais frequentemente citada por historiadores do esporte. No entanto, a própria Associação Japonesa de Futebol (JFA) afirma não possuir documentos que comprovem oficialmente que essa tenha sido a razão da escolha.

Se a universidade ajudou a colocar o azul na história da seleção, uma vitória memorável ajudou a mantê-lo.

Nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, o Japão enfrentou a Suécia, uma das favoritas ao torneio. Vestindo azul, os japoneses venceram por 3 a 2 em uma das maiores zebras da competição. Foi a primeira grande vitória internacional do futebol japonês.

Poucos dias depois, a equipe sofreu uma goleada de 8 a 0 para a Itália, que acabaria conquistando a medalha de ouro. Ainda assim, a lembrança da vitória sobre os suecos falou mais alto.

A partir daí, criou-se a ideia de que o azul trazia sorte. Como acontece em muitos esportes, a superstição acabou ganhando força e ajudou a consolidar a cor como parte da identidade da seleção.

O azul, porém, não permaneceu intocável durante toda a história.

Entre 1988 e 1992, sob o comando do técnico Kenzo Yokoyama, a seleção abandonou temporariamente a camisa azul e passou a jogar de branco e vermelho, cores inspiradas diretamente na bandeira japonesa.

A mudança parecia fazer sentido. Afinal, várias seleções do mundo utilizam as cores nacionais em seus uniformes principais.

Mas o resultado dentro de campo foi decepcionante. O Japão fracassou nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990 e também não conseguiu vaga nos Jogos Olímpicos de 1992.

Claro que não houve qualquer relação entre a cor da camisa e o desempenho da equipe. Ainda assim, para muitos torcedores e dirigentes, o experimento parecia ter dado azar. A camisa azul voltou e nunca mais deixou de ser o uniforme principal. Desde então, o branco permaneceu como uniforme reserva.

Como não há uma explicação oficial, outras hipóteses surgiram ao longo dos anos. Uma delas diz que o azul representa o céu e o oceano que cercam o arquipélago japonês.

Outra afirma que a escolha ajudaria a diferenciar o Japão de outras seleções asiáticas, como China e Coreia do Sul, que tradicionalmente utilizam o vermelho. Também existe uma lenda que relaciona o uniforme ao kachi-iro, um tom de azul associado à vitória e que teria sido usado por antigos samurais sob suas armaduras. 

O uniforme azul ficou tão associado ao futebol japonês que acabou dando origem ao principal apelido da seleção masculina: Samurai Blue, ou Samurais Azuis.