Duelo entre Raquel e João mobiliza forças do estado - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco A pré-campanha para as eleições para o governo de Pernambuco já evidenciam o embate que deve se apresentar na disputa pelo voto do eleitor. Em meio a uma polarização do debate nacional entre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a eleição de um candidato da direita, a governadora Raquel Lyra (PSD) tenta não se colar à imagem de candidatos à Presidência como estratégia para alcançar uma maior quantidade de eleitores. Questionada pela imprensa sobre a possibilidade de apoio a Lula, Raquel Lyra costuma reforçar que tem com o presidente uma relação institucional de sucesso, com parcerias no campo administrativo e lembra que gestões anteriores tiveram um relacionamento conturbado com os presidentes que passaram pelo comando do país. Ao se candidatar para o governo estadual, em 2022, a governadora também enfrentou uma forte polarização nacional e a pressão para que tomasse lado na disputa. Raquel Lyra se manteve neutra e venceu a eleição sem declarar voto em Lula, que foi eleito presidente, nem em Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição. Na avaliação do cientista político Felipe Ferreira Lima o desafio da gestora será manter a neutralidade em um cenário diferente da eleição anterior e com nuances específicas, como a ligação direta do presidente Lula com a candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos. Soma-se a isso o fato de o partido de Raquel Lyra ter como candidato à Presidência o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
“Até onde ela vai equilibrar os pratos vai depender muito de como Lula vai se portar e até onde ele vai querer dividir Pernambuco. Hoje, ele está em uma condição em que não pode se dividir em lugar nenhum, sobretudo se quiser manter essa margem de vantagem contra o opositor Flávio Bolsonaro. Agora, se ele cresce e tem uma margem de vantagem muito maior e confortável, pode querer catapultar aqui a candidatura de João vindo a Pernambuco e investindo na eleição dele”, analisa o especialista.
Já o pré-candidato do PSB, João Campos, investe justamente na proximidade com Lula para angariar os votos da esquerda, que deu maioria de 66,9% dos votos ao presidente em 2022. Nas redes sociais e nos discursos, o prefeito tem repetido que não se pode perder a oportunidade de garantir investimentos para Pernambuco no último mandato do presidente Lula. Para reforçar a ideia, o socialista divulgou, ontem, um jingle com o trecho do discurso e a imagem dele ao lado do presidente. Para a cientista política Priscila Lapa, a estratégia é resgatar o bom momento vivido pelo estado no segundo mandato de Lula como presidente entre 2006 e 2010.
“João precisa dessa nacionalização para que o tom da campanha não ganhe tantos ares locais no sentido de resgatar a projeção ao PSB. Ele vai tentar resgatar a gestão de seu pai que é quando realmente o Estado ia bem quando os indicadores de desenvolvimento performaram muito bem e ele vai tentar mostrar que isso tem a ver com essa relação também entre Eduardo Campos e Lula. Então ele vai tentar replicar isso ele já fez isso na verdade no lançamento da pré campanha”, ponderou Priscila.


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