Fundo de servidores do estado assumiu 60 propriedades espalhadas pelo país

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28.jun.2026 às 23h00

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Marcos Hermanson Thaísa Oliveira

O envolvimento do Igeprev-TO (Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins) com o antigo Banco Máxima –que depois virou Master– levou o fundo de previdência dos servidores do estado a assumir 60 imóveis espalhados pelo Brasil, dos quais agora ele tenta se desfazer.

O Igeprev fez um investimento malsucedido no fundo Viaja Brasil, do Máxima, e acabou tomando um prejuízo de R$ 13 milhões depois que o veículo de investimento foi liquidado em 2014.

Em 2022, alvo de uma ação do Ministério Público Estadual, o banco, já sob o comando de Vorcaro e com o nome de Master, transferiu ao instituto 60 imóveis em São Paulo, Goiás, Minas Gerais, no Paraná e no Rio de Janeiro, para cobrir o prejuízo.

O Master não respondeu ao pedido de comentário feito pela Folha, por email.

A Justiça homologou o acordo, mas o Igeprev relata até hoje dificuldade em transformar esses imóveis em dinheiro e recuperar o valor perdido. O instituto de previdência conseguiu vender só 17 dos 60 apartamentos, salas comerciais e lotes, recuperando R$ 2,8 milhões –ou 21% do prejuízo.

Em 2022, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão de inteligência ligado ao Ministério da Fazenda, levantou dúvidas sobre o valor de um dos imóveis. Relatório emitido pelo órgão aponta que o Master deu em pagamento ao Igeprev um imóvel de R$ 591 mil que até então era registrado pelo banco por R$ 76 mil.

A reportagem perguntou sobre o alerta do Coaf ao governo do Tocantins, que administra o Igeprev, mas o estado não quis se manifestar sobre o assunto.

Os imóveis transferidos pelo Master compõem hoje um fundo de investimento imobiliário. O pacote inclui quartos de hotel em Belo Horizonte e Sete Lagoas (MG), lotes vazios em Curitiba, salas comerciais e apartamentos no Rio de Janeiro, e até uma casa no município de Rio das Ostras (RJ) avaliada em R$ 137 mil.

Também constam dois lotes em um condomínio rural de Araçariguama, no interior de São Paulo, avaliados em cerca de R$ 2 milhões. Junto com os terrenos de Curitiba (R$ 2,1 milhões), formam o conjunto mais valioso entre os imóveis que foram para o Igeprev.

Em nota, o governo do Tocantins disse que os 43 imóveis remanescentes seguem em processo gradual de regularização e venda "com potencial de continuidade na recuperação patrimonial e geração de novas receitas".

O Ministério Público do Tocantins disse que os imóveis foram avaliados presencialmente, com apoio dos centros de apoio operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público dos estados e com a participação de perito especializado indicado pelo Igeprev.

"O acordo somente foi homologado judicialmente após a conclusão das avaliações e a efetiva transferência das escrituras dos imóveis", afirma o Ministério Público, destacando que o plano de gestão dos imóveis foi aprovado pelo Ministério da Previdência Social.

Segundo a última demonstração financeira do fundo de investimento, o valor dos imóveis na carteira envolve "elevado nível de julgamento", já que as técnicas de apreciação a valor justo decorrem de laudo elaborado por terceiros.

O auditor independente relata ter tratado do assunto, confirmando a propriedade dos imóveis, confrontando informações extraídas da documentação com registro de controle interno da carteira de ativos, e "obtendo o entendimento acerca dos critérios de avaliação a valor justo". Não cita, porém, se revisou as estimativas de valor em si, que são feitas por uma consultoria externa.