Comer arroz e feijão com frequência reduz o consumo de ultraprocessados, gordura e açúcar em 45%, mostra estudo da USP; saiba mais.

Um novo estudo conduzido por pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) mostra que o maior consumo de arroz e feijão foi diretamente associado a uma melhora dos hábitos alimentares no geral.

O trabalho, publicado na revista científica Public Health Nutrition, analisou dados de 46,1 mil brasileiros com 10 anos ou mais, disponíveis na última edição da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE. Dietas com mais consumo de arroz e feijão foram acompanhadas de mais ingestão de fibras, ferro e potássio e menos de açúcares adicionados e gorduras. De um modo geral, a combinação típica brasileira foi ligada a 45% menos “inadequações nutricionais da dieta”.

De acordo com os resultados, além dos benefícios isolados do arroz e feijão, o brasileiro que consome mais da combinação costuma fazer escolhas melhores de outros alimentos para compor o prato, deixando de lado itens como ultraprocessados e dando destaque a uma refeição mais natural e saudável.

Entretanto, isso não quer dizer que os nutrientes obtidos diretamente pelo arroz e o feijão não sejam também importantes. O médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), diz que o arroz é uma das principais fontes boas de carboidratos, que devem ser a base da alimentação pois fornecem energia para o dia a dia. Já o feijão é rico em proteínas, ferro, potássio, magnésio, zinco, vitaminas do complexo B e compostos bioativos.

a quantidade ideal de consumo para um adulto saudável é de três a cinco colheres de sopa de arroz e uma concha média de feijão por refeição, sempre acompanhados de verduras, legumes e uma fonte de proteína como ovos, peixe, frango, carne magra ou outra proteína vegetal.

O especialista explica ainda que, mesmo para pessoas com pré-diabetes ou diabetes, a combinação é indicada. O tema gera dúvidas devido ao índice glicêmico do arroz, que pode ser elevado.

Ademais, a pesquisa da USP avaliou ainda outros efeitos de uma dieta rica em arroz e feijão e concluiu que ela apresenta uma pegada de carbono 18% menor, uma pegada hídrica 21% menor, e um custo total da alimentação 38% inferior.

Os resultados do novo estudo da USP confirmam que ainda há um consumo significativo de arroz e feijão em todos os grupos sociodemográficos, chegando a representar cerca de um sexto das calorias diárias dos brasileiros. No entanto, esse consumo tem diminuído.

Um levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que ele chegou aos menores índices nos últimos anos desde que o monitoramento teve início. Em 2025, o consumo de arroz foi de 34,49 kg por habitante, e o de feijão de 12,36 kg por habitante: uma redução de 24,1% e de 23,7%, respectivamente, em relação ao registrado 25 anos antes.

A urbanização do estilo de vida, com rotinas que reduzem o tempo disponível para preparo dos alimentos, é um dos fatores por trás da tendência, particularmente em relação ao feijão, cujo tempo de cozimento é maior. Em paralelo, há um consumo cada vez maior fora de casa, o que favorece escolhas como produtos ultraprocessados, que têm preços mais acessíveis e são vendidos como refeições prontas, que se tornam mais práticas para o dia a dia.

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