Produtividade, eficiência e bem-estar animal deveriam ser as palavras de ordem para a agropecuária brasileira cortar as emissões de metano (CH4), um dos gases de efeito estufa mais potentes. É o que afirma estudo da Iniciativa de Política Climática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), publicado nesta terça-feira (9). Leia mais (06/28/2026 - 23h00)
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
28.jun.2026 às 23h00
Edição Impressa Diminuir fonte
Produtividade, eficiência e bem-estar animal deveriam ser as palavras de ordem para a agropecuária brasileira cortar as emissões de metano (CH4), um dos gases de efeito estufa mais potentes. É o que afirma estudo da Iniciativa de Política Climática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), publicado nesta terça-feira (9).
A pesquisa lista caminhos concretos para o setor reduzir a contribuição às mudanças climáticas e indica que é possível produzir mais carne com menos impacto ambiental.
Em 2024, a digestão do gado respondeu por 75% das emissões brasileiras de metano: foram 15,7 milhões de toneladas geradas na chamada fermentação entérica, o popular arroto do boi.
"A pecuária brasileira não pode ser vista apenas como parte do problema climático. Dada a magnitude de sua contribuição para as emissões, o setor é necessariamente parte central da solução", afirma o estudo.
Cientistas veem a redução rápida do metano como um atalho para combater o aumento das temperaturas. Uma molécula do gás aquece o planeta tanto quanto 30 moléculas de CO2 (dióxido de carbono), em média. Além disso, o metano emitido hoje fica cerca de dez anos na atmosfera, ao contrário do CO2, que permanece por até um século.
Juliano Assunção, diretor-executivo da CPI/PUC-Rio, diz que o debate sobre a poluição do agro poderia avançar pelo argumento da maior lucratividade, sem necessariamente envolver a linguagem das mudanças climáticas.
"O problema é basicamente aumento de produtividade", resume. "Se a gente abordasse a questão da produtividade, a redução de emissões de metano aconteceria como subproduto desse esforço."
A não ser que se mude a biologia, o gado continuará arrotando o gás de efeito estufa. Ainda assim, fazendeiros podem adotar um conjunto de medidas para intensificar a pecuária sem ampliar a fronteira agrícola. Isso permitiria produzir mais carne e trazer ganhos econômicos combinados a uma redução do metano emitido por animal.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
Para os autores, há uma conexão direta entre pecuária extensiva de baixa produtividade e desmatamento. Na amazônia, a criação de rebanhos pequenos em grandes áreas serve para consolidar a posse, muitas vezes por meio da abertura de terras onde antes havia vegetação nativa.
"O que vemos hoje é a exploração de algumas áreas até a exaustão, e depois passa para a próxima área, e aquela área fica degradada. Na medida que a gente tem incentivo de políticas públicas para quebrar essa lógica e induzir produtividade, a agenda do metano vem", diz Assunção.
O estudo argumenta que não é necessário criar novos programas, e sim torná-los mais efetivos. Como sugestão de impacto no curto prazo, o diretor-executivo cita a imposição de exigências para redução de metano no crédito rural, que concede empréstimos com juros subsidiados pela União.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário