Goleiro da Argentina sofreu no ostracismo até ter uma chance de aproveitá-la para mudar o rumo da carreira
Siga o UOL Esporte noOuvir1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×Emiliano Martínez é a imagem da segurança no gol da seleção argentina. Campeão do mundo em 2022, eleito o melhor goleiro do planeta duas vezes pela Fifa e outras duas pela revista France Football, ele já está na história como um dos grandes da posição.
Nem sempre foi assim. Na verdade, essa versão altiva, segura e cheia de marra que o goleiro mostra desde a Copa América de 2021 é algo recente.
Durante quase uma década, Dibu (apelido que ele carrega desde a adolescência) sofreu para se firmar no futebol europeu. Cria da base do Independiente, ele foi comprado pelo Arsenal aos 17 anos, depois de se destacar num sul-americano juvenil.
Na chegada a Londres, recebeu uma mensagem de Arsène Wenger, então treinador dos Gunners: teria que aprender inglês para ter alguma chance no time. Martínez aprendeu o idioma em menos de um ano, mas o caminho no clube londrino seria bem mais complicado do que saber falar "hello" e "thank you".
A estreia de Dibu como profissional é um bom exemplo: em 2012, ele jogava com o time sub-21 do Arsenal e só havia sido relacionado uma vez para o banco de reservas da equipe principal.
No início de maio, o Oxford United, então na terceira divisão inglesa, pediu socorro: todos os goleiros estavam machucados, e o time precisava de um empréstimo de emergência para a última rodada, em que poderia subir para a segunda divisão. O Arsenal enviou Martínez, que estreou sem ter feito um único treino com os colegas. A equipe perdeu por 3 a 0 para o Port Vale, ficou sem a vaga na Championship, e o argentino voltou para Londres.
Aquele empréstimo peculiar seria apenas o primeiro de uma série que marcaria a carreira do hoje campeão mundial. Nas temporadas seguintes, Dibu seria emprestado para Sheffield Wednesday, Rotherham United, Wolverhampton, Getafe e Reading.
Em nenhum deles o argentino chegou a 20 jogos — no Getafe, o único clube que disputava a primeira divisão nacional, foram apenas sete jogos em uma temporada completa.
O acúmulo de empréstimos e a falta de uma sequência de jogos fizeram Martínez duvidar que seria possível alcançar o seu maior sonho: defender a seleção da Argentina. Convocado para um amistoso em 2011, ele havia sido convocado para um amistoso com o time B, mas — diante de tantas idas e vindas — acabou saindo do radar.
A história começou a mudar em junho de 2020, em meio à temporada afetada pela pandemia de Covid-19. O alemão Bernd Leno, titular do Arsenal, sofreu uma lesão grave no joelho. Martínez, que havia voltado do empréstimo ao Reading, mas continuava sem ter oportunidades, teve finalmente uma chance.
O argentino não desperdiçou: fechou com boas atuações a campanha na Premier League, foi titular no título da Copa da Inglaterra e mostrou que poderia brigar pela posição de titular. No início da temporada seguinte, ele se destacou mais uma vez, na disputa da Supercopa da Inglaterra vencida pelos Gunners contra o Liverpool.
As boas atuações chamaram a atenção do Aston Villa, que procurava um goleiro para ser o titular. O resto da história é mais conhecido: Martínez não apenas se consolidou no clube de Birmingham, como assumiu a titularidade da seleção argentina na Copa América de 2021 — disputada no Brasil ainda em meio aos efeitos da pandemia.
O desempenho na campanha do título, o primeiro da seleção argentina principal em 18 anos, não apenas consolidou "Dibu" no elenco, como o aproximou de Lionel Messi. O camisa 10 passou a respeitá-lo e a confiar nele, dois fatores importantes para qualquer jogador da Albiceleste.
A Copa do Mundo de 2022 transformou de vez a vida do goleiro: de uma peça importante, ele passou a herói nacional, com os dois pênaltis defendidos contra a Holanda nas quartas, e a histórica defesa do chute de Kolo Muani, no último lance da prorrogação da final.
Na sequência, vieram os prêmios individuais, a consolidação na Premier League, a conquista da Copa América — mais uma vez brilhando nos pênaltis — e a campanha que levou a Argentina a mais uma semifinal de Copa do Mundo.
Nesta quarta-feira, diante da Inglaterra, a Argentina aposta todas as fichas em mais um show de Lionel Messi para vencer a Inglaterra e manter vivo o sonho do tetracampeonato. Mas, quando Jude Bellingham e Harry Kane estiverem diante do gol, é Dibu Martínez quem terá de resolver.
O caminho para a final passa pelas mãos do goleiro que, durante quase uma década, não servia para ser titular na segundona inglesa, nem no meio de tabela da Liga Espanhola.
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