Evento exibiu vídeo com o ex-presidente Jair Bolsonaro que afirma ter sido feito por inteligência artificial. Michelle envia vídeo em que "abençoa" a candidatura.

Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 25 julho 2026Tempo de leitura: 6 minPrometendo que o ex-presidente Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em 2027, Flávio Bolsonaro oficializou neste sábado (25/7) sua candidatura à Presidência em um evento em São Paulo, longe do seu reduto, o Rio de Janeiro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez as pazes publicamente com o enteado há dois dias, após uma briga pública nas redes sociais, não esteve presente. No lugar, mandou um vídeo exaltando o marido e "abençoando" a candidatura de Flávio, nome mencionado por ela uma única vez.

"Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura", disse ela, após dizer que o marido é "o grande líder" e se justificar pela ausência. "O meu galego não pode estar com vocês, eu também não posso porque estou em casa cuidando dele."

Esperado para o evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, subiu ao palco ao som de rock, fez um discurso em espanhol que durou quase meia hora, levando parte da militância que ocupava um auditório no estádio do Pacaembu a ir embora.

Em um discurso inflamado, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

Após enaltecer suas políticas econômicas na Argentina, criticou o socialismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as políticas sociais.

"Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes", afirmou.

Milei, que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina, associou a candidatura de Flávio a uma "transformação política em curso" na região. Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.

Repetindo o feito de Michelle em 2022, Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, fez um discurso acenando às mulheres, onde está a maior rejeição a Flávio, segundo as pesquisas. E passou o microfone ao marido.

Já havia passado das 13h quando Flávio finalmente iniciou seu discurso para uma plateia já pela metade.

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Evocou Deus para ter força e coragem para "resgatar o Brasil", agradeceu à mulher, que estava de um lado, à mãe, Rogéria Bolsonaro, do outro, e disse que estava ali para "honrar todas as mães do Brasil".

Agradeceu a Michelle pelo vídeo, agradeceu ao pai e chorou. "Deus queira que nunca vocês tenham um pai perseguido como ele está sendo", disse.

Criticou o Supremo, porém com um discurso mais brando que Milei, mencionando "abusos por parte do Judiciário brasileiro", que estaria, segundo ele, calando parte da população.

Batendo no peito, mencionou o colete à prova de balas que usava debaixo da camisa. Lembrou que foi "escolhido" pelo pai e prometeu que "em janeiro de 2027 Jair Bolsonaro vai subir a rampa do Planalto".

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O evento também contou com uma participação virtual de Jair Bolsonaro, que apareceu em um vídeo afirmando ser aquela uma imagem criada por inteligência artificial.

"Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país", disse.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, país com o qual o bolsonarismo tem afinidades, e para onde Flávio viajou como parte da pré-campanha, também enviou um breve vídeo de apoio ao filho mais velho do ex-presidente.