É claro que os espíritos risonhos e a porta vermelha voltariam para assombrar seus pesadelos; e é claro que a médium Elise Rainier (Lin Shaye) não deixaria...

A franquia das entidades insidiosas e do Further está agora entre nós como opção de horror no cinema brasileiro. Uma temporada fértil para os fãs do gênero, que também precisaram escolher — o preço dos cinemas e as exibições dubladas pedem isso — entre produções como Obsessão, Backrooms, Passageiro do Mal, Acampamento Miasma e A Morte do Demônio: Em Chamas. É claro que os espíritos risonhos e a porta vermelha voltariam para assombrar seus pesadelos; é claro que a médium Elise Rainier (Lin Shaye) não deixaria de aparecer como lanterninha dos errantes. Sobrenatural: Agora Entre Nós (Insidious: Out of the Further, 2026) chegou aos cinemas no dia 20 de agosto, sob o comando de Jacob Chase (Vem Brincar, 2020), a partir de um argumento desenvolvido pelo próprio Chase em companhia de David Leslie Johnson-McGoldrick.

Esse sexto filme já não traz o demônio vermelho atrás dos Lamberts, e parte para um spinoff, tendo na Elise a conexão com os demais filmes — ela representa Sobrenatural como uma versão simpática do Freddy Krueger, assim como Tobin Bell sempre faz uma pontinha em Jogos Mortais. Aliás, o Boca conversou com Jason Blum anos atrás e teve a oportunidade de perguntar se havia o arrependimento por ter matado a senhorinha já no primeiro filme, e o produtor disse que não, embora reconheça a importância da atriz para a série. Mesmo com a veterana, o longa não pede que você tenha acompanhado todos os demais segmentos para entender do que se trata. Basicamente você só precisa saber que o Mundo dos Espíritos é chamado de The Further (melhor do que traduzir para O Além), e os fantasminhas que ali habitam querem encontrar um acesso para o Mundo dos Vivos.

Para tal, estão atormentando a vida de Gemma Hall (Amelia Eve, de A Maldição da Mansão Bly, 2020) desde criança, quando testemunhou a degradação psicológica de sua mãe, Ingrid (Laura Gordon), em 1999. Vinte anos depois, agora ela é uma dentista tranquila que vive com a filha Maya (Island Austin), enquanto namora Nick (Brandon Perea, de Twisters, 2024). Logo ela passa a experimentar situações bizarras como o olhar risonho de três idosos estranhos e momentos em que ela sente que está em outro local, tomada por uma escuridão intensa e a voz gutural de uma entidade que a fica circundando.

Por outro lado, o filme não escapa dos clichês e algumas ideias tolas. Em uma delas, Nick reclama com Gemma que gostaria de conhecer a filha dela, algo que ela parece evitar há bastante tempo, talvez por preservar a segurança da filha ou não assumir um relacionamento com o rapaz. Contudo, quando ela descobre que precisa ir atrás de Elise, poucas cenas depois, o que ela inexplicavelmente faz? Deixa a filha de nove anos sob os cuidados de Nick, ignorando completamente a ideia anterior. Além disso, a ideia de esconder os acólitas numa casa vizinha não faz o menor sentido. Não seria mais fácil levá-los para bem longe, em um hotel ou local que não permita que Gemma tenha acesso?

Com a boa arrecadação dos cinemas — o longa já se mostra lucrativo com menos de quinze dias após a estreia —, a Blumhouse provavelmente abrirá outras portas, até porque é possível criar enredos isolados como este como exploração do subgênero das casas assombradas, com o passado de Elise novamente sendo resgatado e outras entidades que buscam o acesso. Pode incluir um ou outro personagem já visto, ou simplesmente mostrar a simpatia de Lin Shaye segurando uma lanterna em um ambiente escuro e aterrorizante.

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