Chia Wang afirma que tarifas de 50% sobre importações de aço fortaleceram o setor e elevaram margens da Gerdau na América do Norte
Compartilhar matéria
A correspondente da CNN Brasil em Washington, Mariana Janjácomo, visitou a planta da Gerdau em Cartersville, na Geórgia, onde entrevistou o presidente da Gerdau Aços Longos na América do Norte, Chia Wang.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo explicou como as políticas tarifárias dos Estados Unidos impulsionaram os negócios da empresa na região.
Segundo Wang, o movimento começou no primeiro governo de Donald Trump, quando o setor siderúrgico foi considerado estratégico para a segurança nacional e passou a ser protegido pela Seção 232, que estabeleceu uma tarifa de 25% sobre o aço importado. No atual mandato, a alíquota foi elevada para até 50%, passando a abranger também produtos derivados do aço.
O executivo afirmou que o aumento das tarifas reduziu as importações e fortaleceu a indústria doméstica.
"Isso possibilitou que os níveis de importações fossem reduzidos, canalizando os produtores domésticos para atender à demanda nacional", disse. Segundo ele, a medida elevou a utilização das plantas da Gerdau e contribuiu para margens historicamente altas.
Sobre as negociações comerciais entre Estados Unidos, Canadá e México, Wang afirmou que um eventual acordo pode trazer oportunidades e desafios para a empresa. Se as tarifas sobre o Canadá forem reduzidas, a Gerdau poderá ampliar o envio de produtos produzidos no país para o mercado americano.
Já uma maior abertura ao México pode aumentar a concorrência, especialmente no segmento de produtos estruturais, pressionando a relação entre oferta e demanda e reduzindo as margens.
A América do Norte responde atualmente por cerca de 75% do Ebitda da Gerdau, considerando os resultados do primeiro trimestre de 2025. A companhia entrou no mercado norte-americano em 1999, com a aquisição de empresas de aço nos Estados Unidos e no Canadá.
O executivo também destacou os planos de expansão da empresa. Hoje, a Gerdau opera 11 usinas nos Estados Unidos e no Canadá no modelo de mini-mill, que utiliza sucata reciclada em fornos elétricos.
Segundo Wang, além de competitivo em custos, o processo garante uma das menores emissões de carbono da indústria siderúrgica. A empresa também participa da construção do estádio de Atlanta, uma das sedes da Copa do Mundo.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário