Fala segue troca de farpas pública após cúpula do G7, na França, e comentários sobre interferência em questões políticas internas
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Após troca de farpas no G7, Donald Trump classificou Lula como “muito volátil” e disse “não estar nem aí” para o brasileiro. Lula, por sua vez, rebateu a interferência dos EUA nas eleições e as ameaças de tarifas e classifica o ato como desaforo, intensificando a tensão diplomática entre os dois países.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Após uma troca de farpas pública durante cúpula do G7, nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma pessoa “muito volátil”. Em entrevista ao portal americano Axios, publicada nesta sexta-feira, 19, o republicano disse que “não poderia se importar menos” com o brasileiro.
“Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora ele é um tipo de pessoa diferente”, disse Trump, quando perguntado sobre sua relação com Lula. “Ele é muito volátil. Eu vi como ele fez um discurso. Foi muito volátil, e tudo bem”, disse.
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A fala acontece em um momento tenso da relação entre os países. Na quarta-feira, ao fim do encontro do G7, na França, Lula rebateu falas de Trump e citou interferência em assuntos políticos brasileiros.
“Por mim, ele [Trump] pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles, não meu. Única coisa que quero é respeito pelo Brasil como o que tenho pelos Estados Unidos, só isso”, respondeu ele durante entrevista coletiva, ao ser questionado sobre a fala de Trump.
Pouco antes, o presidente dos Estados Unidos disse que o Brasil é um país “um pouco perigoso politicamente” e se confundiu sobre a condenação de Eduardo Bolsonaro, dizendo que o “Bolsonaro Jr.” havia sido preso. Na terça, 16, o ex-deputado federal foi condenado pelo STF a quatro anos de prisão por tentar interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele não foi preso, no entanto.
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“Passei bastante tempo com ele [Lula], na verdade. É um país um pouco complicado, politicamente”, falou Trump. “Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e soube que prenderam o Bolsonaro Jr. (sic). Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prender. Eles estão tramando algo”.
Antes, Lula já havia dito que achou um “desaforo” e um “rompante” as decisões dos Estados Unidos de impor novas taxas aos produtos brasileiros e classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas. O presidente explicou que não pediu um encontro bilateral com Trump durante a reunião do G7 porque os dois países ainda estão em negociação sobre esses temas, mas que não teria problema em pedir uma nova reunião ao norte-americano caso o diálogo não avance.
“Acho que o que ele [Trump] fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. Por isso disse que ele ainda está agindo como imperador”, disse Lula. “Fico na expectativa de que vamos negociar, apesar do rompante deles com relação ao Brasil.”
Em discurso durante a cúpula, um dia antes, Lula já havia criticado abertamente “o protecionismo e o unilateralismo” e defendido o respeito à soberania de países na luta contra o crime transnacional. A fala foi feita praticamente frente a frente com Donald Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.
O discurso faz referência direta às ameaças de Washington de impor um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros e à decisão de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.


