Sobrevivente fala um ano após ver pais morrerem em queda de balão em Praia Grande (SC) Um ano após a queda de um balão que matou oito pessoas em Praia Grande, no extremo sul de Santa Catarina, a investigação segue sem apontar culpados. Ocorrida em 21 de junho de 2025, é considerada maior tragédia do balonismo brasileiro. O desastre vitimou, entre os passageiros, o casal de Joinville Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha. A filha deles, Luana da Rocha, sobrevivente do acide

Sobrevivente fala um ano após ver pais morrerem em queda de balão em Praia Grande (SC) Um ano após a queda de um balão que matou oito pessoas em Praia Grande, no extremo sul de Santa Catarina, a investigação segue sem apontar culpados. Ocorrida em 21 de junho de 2025, é considerada maior tragédia do balonismo brasileiro. O desastre vitimou, entre os passageiros, o casal de Joinville Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha. A filha deles, Luana da Rocha, sobrevivente do acidente, falou pela primeira vez à NSC e apontou uma série de falhas operacionais, omissão do poder público e falta de fiscalização. ✅ Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A queda aconteceu na região conhecida como a "Capadócia brasileira" — apelido ganho por lembrar o famoso destino da Turquia, repleto de formações rochosas peculiares e voos de balão de ar quente. Anres do acidente, Praia Grande realizava cerca de 600 voos mensais. Imagens compartilhadas nas redes sociais na época mostram o balão em chamas no alto e o desespero das pessoas pulando da estrutura. Entre os passageiros, estavam Luana e os pais, Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha. No total, 21 pessoas estavam no balão que pegou fogo no ar: Após a estrutura se aproximar do chão, 13 pessoas conseguiram sair ou caíram no chão. Dos mortos, quatro ficaram carbonizados no cesto e outros quatro morreram por conta da queda. Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha, de Joinville, estavam entre as vítimas da queda de balão em Praia Grande (SC) Redes sociais/Reprodução Local de decolagem alterado e nenhuma instrução de emergência Luana contou que a família decidiu fazer a viagem de última hora. No dia do voo, a agência alterou o local da decolagem sem dar explicações, o que atrasou a subida. Segundo a jovem, o balão saiu do chão com bastante dificuldade, sendo necessário que os funcionários puxassem os cabos para dar impulso. Nenhuma instrução de emergência foi passada aos passageiros. “Entramos no balão e os outros dois balões do voo dessa agência conseguiram decolar normalmente. O nosso ficou e a gente começou a achar estranha a demora. Um dos instrutores falou ‘fiquem tranquilos porque esse é o procedimento. É normal do balão’. Uma coisa que me marcou muito foi que enquanto eu estava no balão, eu olhava pro céu e já não tinha mais nenhum balão [voando]”. Quando finalmente decolou, tudo aconteceu muito rápido. Luana conta que não percebeu, de início, que a estrutura estava pegando fogo. Outros passageiros notaram que havia algo errado e questionaram a equipe. Em dado momento, o instrutor informou que faria um pouso de emergência. “A partir do momento que ele falou isso, eu automaticamente pulei porque ele falou ‘quando eu abaixar todos pulem’. Eu acabei pulando e depois disso o balão ainda passou por cima de mim. Eu senti o calor do fogo. A partir desse momento, eu entendi que era fogo e eu não vi mais nada”. A jovem ressalta, no entanto, que os passageiros nunca foram alertados sobre o incêndio ou avisados de que deveriam evacuar com urgência máxima. “Em nenhum momento a gente entendeu que o pouso teria que ser feito com urgência e que todo mundo teria que sair do balão a hora que ele pousasse. Ninguém entendeu dessa forma. Isso não foi explicado”. Cronologia da tragédia, segundo a Polícia Civil O balão subiu por volta das 7h de 21 de junho com 21 pessoas a bordo e, logo no início do passeio, começou a pegar fogo; O extintor que estava dentro do cesto do balão não funcionou; O balão começou a descer e, quando estava perto do solo, os sobreviventes pularam; entre eles, o piloto; Mais leve, a estrutura voltou a subir. Quatro das vítimas pularam de uma altura de cerca de 45 metros e morreram; As chamas aumentaram e o cesto, com outras quatro vítimas, despencou. Elas morreram carbonizadas. Local da queda de balão que deixou oito mortos em Praia Grande (SC) Mateus Castro/NSC TV Impunidade e a busca por Justiça O andamento jurídico do caso é marcado por reviravoltas e indignação. O primeiro inquérito policial foi encerrado em outubro sem nenhum indiciado, mesmo após a polícia ouvir mais de 20 testemunhas, incluindo Luana e outros familiares das vítimas. Conforme a apuração da época, o conjunto de provas "não encontrou a existência de conduta humana dolosa ou culposa que tenha dado causa ao incêndio em voo". Após fortes protestos das famílias e uma reunião direta com o Ministério Público, o caso foi reaberto em novembro para novas perícias. O delegado de Santa Rosa do Sul, responsável pelo caso até então, foi exonerado. Com a mudança, o delegado André Coltro assumiu a comarca e passou a comandar a nova fase das investigações. Atualmente, o processo corre em segredo de Justiça, e os familiares enfrentam barreiras para obter atualizaçõ