Durante sessões de terapia com a psicóloga Rachel Needle, os pacientes às vezes dizem que se sentem "gatilhados" por uma variedade de coisas, desde aborrecimentos cotidianos até lembranças devastadoras de eventos traumáticos. Leia mais (06/27/2026 - 15h30)

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

27.jun.2026 às 15h30

Melinda Wenner Moyer

Durante sessões de terapia com a psicóloga Rachel Needle, os pacientes às vezes dizem que se sentem "gatilhados" por uma variedade de coisas, desde aborrecimentos cotidianos até lembranças devastadoras de eventos traumáticos.

Os eventos são tão variados que a palavra perdeu muito do seu significado, diz Needle. Embora o termo tenha raízes na psicologia do trauma, a forma como é aplicado clinicamente nem sempre corresponde ao uso popular.

Em uma publicação com mais de 400 comentários no Reddit, usuários compartilharam "gatilhos incomuns" que os fazem lembrar de experiências passadas desagradáveis, incluindo o cheiro de cera depilatória ou alimentos em embalagens que fazem barulho.

Yael Schonbrun, psicóloga clínica da Universidade Brown, diz que, embora haja benefícios em incorporar termos psicológicos como gatilho ao vocabulário popular —fazer isso pode reduzir o estigma e criar uma linguagem cultural comum para ajudar as pessoas a descreverem seus sentimentos e experiências—, também pode haver desvantagens.

O uso excessivo da palavra pode minimizar as experiências de pessoas com histórico de trauma ou transtornos de saúde mental, afirma ela, e levar outras pessoas a lidarem com experiências desafiadoras de maneiras prejudiciais.

Na psicologia, a palavra "gatilho" tem sido mais frequentemente associada ao trauma.

Um trauma é "um evento avassalador que supera a capacidade de uma pessoa de lidar com a situação no momento", explica Lisa Damour, psicóloga clínica e consultora sênior do Schubert Center for Child Studies da Case Western Reserve University.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Memórias traumáticas afetam as pessoas de forma diferente de outras memórias, diz Damour. Quando lembradas de um evento traumático, algumas pessoas podem sentir como se estivessem revivendo-o, em vez de apenas lembrando —"como se estivessem de volta lá, como se tudo estivesse acontecendo de novo", afirma. Essa revivência involuntária é chamada de flashback.

Um gatilho é uma pista ou experiência que pode provocar um flashback, diz, acrescentando que pode ser um lugar, cheiro, som ou situação que "de repente catapulta uma pessoa de volta no tempo para um evento traumático".

Como os flashbacks são muito perturbadores, muitos sobreviventes de trauma tentam evitar seus gatilhos, diz Schonbrun. Evitar um gatilho proporciona uma sensação de segurança e alívio que diz ao cérebro que o medo e a evitação eram justificados. Mas ela também diz que a evitação pode apenas piorar as coisas, porque reforça a ansiedade.

Psicólogos normalmente usam uma forma de tratamento chamada terapia de exposição para ajudar as pessoas a trabalharem seus traumas, fazendo-as relatar experiências traumáticas em um ambiente seguro, diz Damour. O objetivo é que, com o tempo, as pessoas parem de associar seus gatilhos a perigo imediato e aprendam que não precisam evitá-los.

A palavra às vezes também é usada em outros contextos de saúde mental, diz Needle, tipicamente para descrever pistas identificáveis que aumentam sintomas ou comportamentos problemáticos. Por exemplo, pessoas diagnosticadas com transtornos por uso de substâncias, transtornos alimentares ou transtorno bipolar podem se referir a essas pistas como gatilhos.