Uma pesquisa conduzida por dois economistas de universidades americanas identificou um grande salto no volume de novos livros disponibilizados na Amazon após a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa -os modelos de linguagem em grande escala (LLM), como o ChatGPT. Leia mais (06/26/2026 - 23h00)
Coluna assinada por Walter Porto, editor de Livros
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26.jun.2026 às 23h00
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Uma pesquisa conduzida por dois economistas de universidades americanas identificou um grande salto no volume de novos livros disponibilizados na Amazon após a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa —os modelos de linguagem em grande escala (LLM), como o ChatGPT.
De 2022 até 2025, a quantidade de novos títulos disponibilizados mensalmente na plataforma triplicou, segundo o estudo, de 100 mil para 300 mil —a Amazon é a maior empresa virtual de venda de livros no mundo. E, segundo argumentam os pesquisadores, a razão está ligada ao maior uso de IA na produção de livros postos à venda na plataforma.
A pesquisa foi apresentada em janeiro à organização independente National Bureau of Economic Research, dos Estados Unidos, por Imke Reimers, professora da Universidade Cornell, e Joel Waldfogel, economista da Universidade de Minnesota.
O levantamento partiu de dados de novos títulos disponibilizados na Amazon e usou uma ferramenta para detectar o uso de IA em uma amostra aleatória de cerca de 50 mil lançamentos. Se, até 2022, o recurso a inteligência artificial ficou próximo de zero, no final do ano passado a taxa ultrapassava 60%.
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Procurada pela coluna, a Amazon afirma ter "diretrizes de conteúdo que regulam quais livros podem ser listados para venda" e diz que remove do seu site conteúdo que não esteja em conformidade com elas, "seja ele gerado por IA ou não".
"Para garantir uma experiência positiva para todos os autores, limitamos o número de títulos que podem ser criados simultaneamente a dez por formato de livro por semana", diz ainda a nota da Amazon, que ressalta que clientes podem também reportar conteúdo inadequado.
As diretrizes da empresa para o Kindle Direct Publishing, recurso que permite a publicação de autores sem mediação de editoras, tem uma seção específica para regular o uso de inteligência artificial.
Essas regras exigem que os autores informem se textos, imagens ou traduções foram gerados por IA. Mas não há essa exigência para trabalhos feitos "com assistência de IA", ou seja, que usem essas ferramentas para fazer "brainstorming" de novas ideias, editar ou refinar o conteúdo publicado ali.
A coluna perguntou diretamente à Amazon se houve aumento na publicação de ebooks em português e se isso estaria ligado ao uso de ferramentas de inteligência artificial, mas a empresa não respondeu.



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