Com plantio reduzido, a produção do cereal recua 24%, para 6 milhões de toneladas
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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14.jul.2026 às 23h00
Em 2022, o Brasil parecia estar a caminho da autossuficiência em trigo, cereal do qual o país sempre foi dependente externamente, principalmente da Argentina. Nos últimos quatro anos, esse cenário de equilíbrio de produção ficou cada vez mais distante, e o país deverá semear a menor área em nove anos em 2026.
Conforme dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) nesta terça-feira (14), a área dedicada ao cereal recua para 2 milhões de hectares, 17% a menos do que na safra anterior.
Paraná e Rio Grande do Sul são os principais produtores nacionais, e em ambos haverá queda na área de plantio. Os gaúchos, líderes na produção, vão destinar 879 mil hectares ao cereal, 24% a menos do que na safra anterior, e o Paraná, 722 mil hectares, 12% a menos.
A redução nacional de área fará com que a produção brasileira recue para 6 milhões de toneladas, uma queda de 24% e o menor volume desde 2019. Em 2022, o país chegou a produzir 10,6 milhões de toneladas, volume próximo ao do consumo nacional.
Na década de 1980, o Brasil chegou a ter o dobro de área semeada, em relação ao que está sendo plantado neste ano, mas o produtor, aos poucos, foi trocando essa cultura por milho. Motivos não faltaram, e vão desde a baixa rentabilidade da cultura à política dos moinhos de forçar a queda do preço do produto nacional em determinados períodos do ano, segundo os produtores.
Além disso, as lavouras de trigo têm custo elevado e são de alto risco climático. Neste ano, em que as previsões indicam um El Niño intenso, o excesso de chuva na região Sul poderá afetar a colheita e a qualidade do cereal. Daí a avaliação de risco maior por parte do produtor na hora de decidir sobre a área de plantio.
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Com a queda de produção, o país importará 6,9 milhões de toneladas, segundo os dados mais recentes da Conab. Já o consumo nacional está estimado em 11,8 milhões de toneladas, segundo o órgão oficial.
Conab e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgaram também o volume total da produção de grãos previsto para a safra nacional de 2025/26. A Conab estima uma safra de 360 milhões de toneladas, e o IBGE, de 347,4 milhões. Essa diferença se deve basicamente à soja e ao milho, e é de 12 milhões de toneladas entre as duas entidades.
Enquanto a Conab estima a safra de soja em 181 milhões de toneladas, o IBGE indica 174 milhões. No caso do milho, as estimativas de produção são de 142 milhões e 136,5 milhões, respectivamente.
No caso do arroz, as duas estimativas têm uma diferença de 500 mil toneladas, com o IBGE prevendo uma produção de 11,7 milhões de toneladas, acima do volume estimado pela Conab.




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