Fabricante de veículos elétricos de Elon Musk entrega mais de 480 mil unidades, com Europa liderando a recuperação

Compartilhar matériaAs vendas globais da Tesla dispararam 25% no segundo trimestre, em um sinal de que a fabricante de veículos elétricos de Elon Musk pode estar virando a página.

A empresa registrou entregas de mais de 480 mil unidades nos três meses encerrados no final de junho, ante pouco mais de 384 mil no mesmo período de 2025.

As entregas são usadas como indicador substituto das vendas da Tesla. Embora a Tesla não divulgue as entregas por região, há indícios de que a Europa liderou o movimento.

Dados da ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis) mostraram que as vendas da Tesla dispararam 77% durante os primeiros cinco meses do ano.

A recuperação da Tesla na Europa foi provavelmente impulsionada por um aumento na demanda por veículos elétricos devido aos preços mais altos nos postos de combustível, incentivos governamentais para veículos elétricos e uma atenuação da rejeição dos consumidores à política de Musk, que foi particularmente acentuada na região.

As vendas da Tesla na Europa despencaram 38% no ano passado, segundo dados da ACEA, quando Musk apoiou publicamente alguns candidatos políticos de extrema-direita na Alemanha e na Grã-Bretanha e desempenhou um papel controverso na administração do presidente Donald Trump, liderando esforços para demitir milhares de funcionários federais.

"A Europa está em modo de recuperação após sofrer por um ano com as vibrações anti-Musk que abundavam no continente", disse Dan Ives, chefe global de pesquisa em tecnologia da Wedbush Securities, à CNN em uma declaração enviada por e-mail na sexta-feira.

Os resultados da Tesla — que superaram as expectativas — indicam que a empresa pode estar se recuperando após dois anos consecutivos de quedas anuais nas vendas e da eliminação dos créditos fiscais para veículos elétricos nos EUA, o que reduziu o incentivo para potenciais compradores americanos.

Em uma nota publicada na terça-feira, analistas do Deutsche Bank previram entregas de 416 mil unidades para o trimestre, afirmando que esperavam que as vendas internacionais fizessem "o trabalho pesado, com a Europa atuando como o principal motor".

Seth Goldstein, analista sênior de ações da Morningstar, atribuiu o aumento nas vendas da Tesla ao crescimento da participação de mercado na Europa.

Em uma análise publicada na sexta-feira (3), Goldstein afirmou que prevê crescimento de longo prazo nas vendas de veículos elétricos na Europa, à medida que eles se tornam mais acessíveis em relação aos veículos movidos a combustíveis fósseis e à medida que a "rede de carregamento rápido é expandida ao longo das principais rodovias e nas cidades de todo o continente".

Ainda assim, a Tesla, assim como outras montadoras ocidentais, enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa dos fabricantes chineses de veículos elétricos. A empresa perdeu o status de maior fabricante de EVs do mundo para a chinesa BYD no ano passado.

Mas a empresa de US$ 1,5 trilhão de Musk tem ambições além dos veículos elétricos e está apostando alto em direção autônoma e inteligência artificial.

No verão passado, a Tesla lançou seus robotáxis — um serviço de transporte por aplicativo utilizando carros com sua tecnologia chamada de direção totalmente autônoma (FSD, na sigla em inglês) — em Austin, no Texas.