Cobrado para assumir maior responsabilidade, atacante participa dos quatro primeiros gols da seleção no Mundial

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20.jun.2026 às 16h56

Marcos Guedes Luciano Trindade

Se a seleção brasileira ainda está longe de apresentar um futebol irrepreensível na Copa do Mundo, as críticas pela atuação ruim no empate por 1 a 1 com Marrocos e pelo pé no freio no quase protocolar triunfo por 3 a 0 sobre o Haiti não se aplicam a Vinicius Junior. O camisa 7 começou a competição muito bem.

"Estou em meu melhor nível: fisicamente, tecnicamente e mentalmente", afirmou o atacante de 25 anos. "Isso é o mais importante. Eu sempre sonhei em chegar ao principal campeonato do mundo em meus 100%, para poder fazer os gols e dar assistências. Estou aqui para continuar evoluindo e levar o Brasil ao topo."

Ele já havia dito frases semelhantes antes da estreia, e não foram palavras ao vento. Contra Marrocos, em uma bonita jogada, encarou a marcação, balançou a rede e empatou um jogo no qual o Brasil estava nas cordas. Diante do Haiti, participou dos três gols: deu o chute cujo rebote Matheus Cunha aproveitou, foi garçom para o próprio Cunha no segundo e marcou o terceiro.

As contribuições de Vinicius não se resumiram a esses lances. Enquanto boa parte das discussões envolvendo a seleção se dá em torno de um atleta que não joga ou outro que pouco joga –Neymar e Endrick–, o jovem de São Gonçalo tem sido consistentemente o grande nome da equipe verde-amarela.

Ao menos neste início de torneio, ele vem respondendo aos apelos feitos para que assumisse o protagonismo. Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) em 2024, o atacante carrega o peso de ser a grande referência técnica do time nacional desde que Neymar teve sua lesão mais grave, em 2023.

Sempre que questionado sobre o assunto, Carlo Ancelotti procura tirar essa carga do fluminense. O técnico costuma falar em "responsabilidade compartilhada", mas sabe que o velho conhecido –foi sob seu comando que Vinicius desabrochou no Real Madrid– é sua maior arma na América do Norte.

Para utilizá-la da melhor forma, o italiano liberou o camisa 7 de praticamente todas as tarefas defensivas, embora ele contribua eventualmente na marcação. O treinador procura deixá-lo solto para receber a bola quando ela é roubada, e foi assim que ele teve seu papel nos gols de Matheus Cunha contra o Haiti.

Diante de Marrocos, quando o Brasil tinha a bola, Vinicius era uma opção bem aberta pela esquerda. No embate com os haitianos, foi o lateral Douglas Santos quem ficou perto da linha lateral para, como se diz no jargão atual, "alargar o campo". Vinicius ficou mais por dentro, um tanto a contragosto, e decidiu o jogo.

"Depende muito da partida, depende do adversário. Desta vez, o mister pediu para eu jogar entre os zagueiros. A verdade é que eu não atuo muito por ali, mas, sempre que ele me fala para eu fazer isso, marco gols. Então, tenho que escutar muito mais… Seguramente, ele agora vai me falar que entende muito de futebol", brincou.

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