Relatório da Polícia Federal reproduz conversa em que fundador do Banco Master questiona funcionário sobre pagamento ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes
Relatório da Polícia Federal reproduz conversa em que fundador do Banco Master questiona funcionário sobre pagamento ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes
Antonio Augusto/TSE e Reprodução/YouTube @EsferaBrasil_
Guilherme Waltenberg
de Brasília 1.set.2026 (terça-feira) - 17h00 Priorize o Poder no Google
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, demonstrou preocupação com o uso do Pix para realizar pagamentos ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Em 1º de outubro de 2025, Alberto Felix, responsável por operações financeiras de Vorcaro, informou ao banqueiro que havia realizado pagamentos pendentes. Na conversa, que faz parte da investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master, não é citado o valor do pagamento. Mas, entre eles, estava um repasse ao escritório Barci de Moraes.
Vorcaro questionou imediatamente a forma de pagamento:
“Mas nao faz barci pix ne?”, questionou.
Felix respondeu que havia feito a transferência por Pix, para os mesmos dados bancários usados para uma TED –modalidade de transferência de valores que caiu em desuso depois da chegada do Pix.
“Fez, nao pode? Foi pix para os mesmos dados da ted”, respondeu.
Vorcaro então ponderou:
A grafia original das conversas foi mantida, inclusive com eventuais erros de português, para preservar a fidelidade aos dados da investigação.
A conversa consta do relatório produzido pela Polícia Federal a partir do celular apreendido do banqueiro. Na legenda da imagem que reproduz o diálogo, a PF registra que Vorcaro orientou Felix a não fazer pagamentos ao escritório Barci de Moraes por Pix.
O relatório não esclarece por que Vorcaro considerava o Pix inadequado. O diálogo apenas registra a reação de Vorcaro ao saber que o pagamento havia sido feito por esse meio.
O episódio foi registrado durante a relação financeira entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
A preocupação com a forma de pagamento aparece no relatório depois de outros registros sobre o desejo de manter restrito o acesso ao contrato com o escritório. Em 14 de julho de 2025, Vorcaro orientou um funcionário para que ninguém tivesse acesso ao documento.
O contrato com o escritório Barci de Moraes era tratado diretamente por Vorcaro e seus funcionários.
O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o escritório Barci de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master. Eis a íntegra do documento (PDF – 5 MB)
A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.




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