Entre os fatores, o rali das empresas de semicondutores, resultados corporativos acima das expectativas e redução das tensões entre EUA e Irã

Depois de um início de ano marcado por forte volatilidade, os principais índices recuperaram rapidamente as perdas e renovaram máximas históricas.

O destaque ficou para as empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial, especialmente fabricantes de chips e de memória, que passaram a liderar os ganhos do mercado.

O movimento reforça uma mudança importante na preferência dos investidores: em vez das empresas de software que dominaram o rali dos últimos anos, o mercado voltou sua atenção para quem fornece a infraestrutura física necessária para sustentar a expansão da IA.

A maior mudança observada em 2026 foi dentro do próprio setor de tecnologia.

Enquanto fabricantes de semicondutores dispararam, diversas gigantes de software ficaram para trás.

O índice Philadelphia Semiconductor, principal referência do setor, caminha para registrar o melhor trimestre de sua história.

Empresas como SanDisk, Micron, Western Digital, Intel, Seagate, Marvell e Corning acumulam altas expressivas no ano, impulsionadas pela explosão da demanda por memória de alta capacidade, armazenamento e aceleradores para inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, empresas tradicionalmente vistas como vencedoras da revolução da IA perderam força.

Microsoft, Salesforce, Oracle, Intuit e Accenture sofreram forte correção, refletindo preocupações dos investidores com os elevados investimentos necessários para sustentar a expansão da inteligência artificial e com a pressão sobre as margens.

Analistas avaliam que o mercado passou a privilegiar os fornecedores da “pá e da picareta” da corrida da IA, ou seja, quem vende os componentes essenciais para construir a nova infraestrutura tecnológica.

Outro fator que sustentou a recuperação foi a temporada de balanços.

Segundo a FactSet, cerca de 85% das empresas do S&P 500 divulgaram lucros acima das expectativas dos analistas, o maior percentual para um segundo trimestre em cinco anos.

Além dos resultados positivos, o mercado também revisou para cima as projeções de crescimento dos lucros para os próximos meses, fortalecendo a percepção de que a economia americana continua resiliente apesar dos juros elevados.

Esse cenário ajudou a ampliar o otimismo dos investidores e sustentou novas máximas dos índices acionários.

A melhora do ambiente geopolítico também teve papel importante na recuperação das bolsas.

O conflito entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte onda de aversão ao risco durante o primeiro trimestre, especialmente diante da possibilidade de interrupções no tráfego de navios pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica para cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

Nas últimas semanas, porém, o anúncio de uma trégua temporária entre os dois países e a continuidade das negociações reduziram parte das preocupações dos investidores.

Com menor risco de interrupções no fornecimento de petróleo, os preços da commodity perderam força, aliviando as expectativas de inflação e contribuindo para o avanço dos ativos de risco.

O rali não ocorreu de forma uniforme.

O Russell 2000, índice que reúne empresas de menor capitalização, caminha para registrar seu melhor primeiro semestre desde 1991.