As editoras Clepsidra e Ex Machina, especializadas em literatura insólita e textos góticos, vão lançar as antologias Contos Clássicos de Lobisomem eAs editoras Clepsidra e Ex Machina, especializadas em literatura insólita e textos góticos, vão lançar as antol…
As editoras Clepsidra e Ex Machina, especializadas em literatura insólita e textos góticos, vão lançar as antologias Contos Clássicos de Lobisomem e Contos Clássicos de Vampiro. Juntos, os livros reúnem aproximadamente 120 textos, entre contos, noveletas e documentos históricos, de 120 autores e 35 países, no que tende a se configurar como o mais vasto compêndio temático das duas criaturas já publicado em língua portuguesa. Para adquirir os livros, o interessado pode acessar a campanha no Catarse até 11 de julho. A publicação já está garantida, e ainda há chances de novos conteúdos serem acrescentados conforme avançar a arrecadação no financiamento coletivo. Confira, a seguir, 12 motivos para ter os dois livros.
No Brasil, raramente se publicam antologias literárias chamadas, no exterior, de omnibus, compilações pensadas e elaboradas como referências definitivas, em extensão e escopo, sobre determinado tema. Quando existem, tendem a reproduzir os mesmos clássicos anglófonos do século 19 ou textos já muito antologizados. A coleção “Contos Clássicos” tem curadoria rigorosa, fruto de vários anos de pesquisa, e inclui um escopo geográfico e histórico incomum. O projeto é coordenado pelas editoras Clepsidra e Ex Machina, em parceria com o canal Fantasticursos, e já havia lançado o volume anterior “Contos Clássicos de Fantasma”, cuja segunda edição, revista e ampliada, acaba de se esgotar.
São mais de 70 autores no volume de vampiros e mais de 50 no de lobisomens, de 26 e 18 países, respectivamente. A curadoria da coleção busca ampliar o conceito de gótico para além do Leste Europeu e da Inglaterra vitoriana, proporcionando ao leitor ficções da América Latina, da Escandinávia, da Itália e dos Bálcãs, e apresentando o gótico e suas variantes como partes de um grande imaginário global.
Boa parte dos textos selecionados nos dois livros não existe, até agora, em edições acessíveis no Brasil. A curadoria privilegiou textos raros e obscuros, garimpados a dedo por meio de décadas de pesquisa na literatura fantástica. A seleção de cada volume obedece a uma hierarquia editorial: os “clássicos” são textos fundadores para entender de onde vêm as convenções do gênero; os “raros” existem em outras publicações, mas são de difícil acesso; e os “obscuros” são textos muitas vezes desconhecidos até mesmo de especialistas, conferindo às antologias valor documental e arqueológico.
O índice do volume de lobisomens começa com “O castigo de Licáon”, trecho do poema épico de Ovídio escrito por volta do ano 8 d.C. Depois, passa pelas sagas nórdicas medievais, pelos penny dreadfuls vitorianos, pela licantropia psicológica de Luigi Pirandello, pelo lobizón latino-americano e desemboca no regionalismo brasileiro, com textos de Valdomiro Silveira, Viriato Padilha e outros autores, numa amplitude cronológica de dois milênios de narrativa licantrópica.
O volume de vampiros abre com uma crônica histórica de Filóstrato, datada do século 3 d.C., e inclui um verbete filosófico de Voltaire, de 1772, uma perícia médico-legal do Império Austríaco, de 1732, além de contos simbolistas, alegóricos, eróticos e de horror. Há vampiros como metáfora queer, como crítica política e como figura do gótico tropical e do gótico botânico.
Ambos os livros dedicam uma seção exclusiva ao conto brasileiro. No volume de lobisomens, sete narrativas nacionais são reunidas, entre elas textos de Luís Guimarães Júnior, de 1871, e Valdomiro Silveira, de 1931. No de vampiros, oito contos brasileiros compõem a seção, com obras de Júlia Lopes de Almeida, Coelho Neto e inéditos em livro, como os contos do goiano Caius Martius, pseudônimo de Cláudio de Mendonça, entre outros. A seleção abrange a ficção fantástica nacional do século 19 ao início do século 20.
A tradução é assinada por 14 especialistas que cobrem latim, grego antigo, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, dinamarquês, norueguês, sueco, russo, polonês e nórdico antigo. Entre eles estão nomes como Ana Thereza B. Vieira, Marta Chiarelli, Sabrine Ferreira, Julia Lobão, Luciano Dutra, Felipe Vale da Silva, Pablo Cardellino Soto e Théo de Borba Moosburger, entre outros. A organização, a curadoria principal e a pesquisa dos volumes foram conduzidas por Alexander Meireles da Silva, Bruno Costa e Cid Vale Ferreira.
Cada volume se organiza em quatro seções fixas. A “Introdução” é um dossiê acadêmico assinado pelo Prof. Dr. Alexander Meireles da Silva. Os “Predecessores” reúnem textos anteriores à consolidação do conto moderno como gênero, como documentos, relatos, crônicas e poemas, que ajudam a entender a genealogia de cada criatura. Os “Contos Clássicos” trazem as ficções propriamente ditas. Por fim, há a seção dedicada à contística brasileira.
Os sumários cobrem eixos temáticos específicos. No volume de vampiros, há o vampirismo econômico, psíquico, emocional e sexual, além do vampiro como metáfora modernista e do morcego hematófago como figura do gótico tropical. No de lobisomens, destacam-se eixos como a licantropia como punição moral, o lupo mannaro italiano e sua relação com quadros de asma, além dos falsos lobisomens das farsas populares. Cada eixo é um convite a entender como essas criaturas espelham as ansiedades de suas culturas e épocas.
Os dois volumes foram concebidos como objetos editoriais de colecionador, com capa dura, miolo costurado e colado, cadernos de papel off-white de alta qualidade e formato 16 x 23 cm. “Contos Clássicos de Lobisomem” terá cerca de 450 páginas, enquanto “Contos Clássicos de Vampiro” terá cerca de 550. O projeto gráfico do miolo é assinado por Bruno Costa; as capas e o design da campanha são de Filipe Florence Rios.
A campanha de financiamento prevê metas estendidas para ambos os livros. No volume de vampiros, já desbloqueada, a meta de 140% adiciona a noveleta “A caveira”, de 1843, do Visconde de Arlincourt. Outras metas incluem artigo de Cid Vale Ferreira sobre vampiros na literatura alemã. No volume de lobisomens, a meta de 150% traz a noveleta “Licantropia”, de 1890, de Clemence Housman, e há conteúdos previstos até 300%, incluindo “Cabeça de lobo”, de 1926, de Robert E. Howard. Cada nova meta atingida libera textos inéditos ou ensaios de especialistas a todos que adquiriram os livros.
Junto aos livros, o interessado pode ainda adquirir outros dois títulos já lançados pela parceria entre Ex Machina e Sebo Clepsidra: “Contos Clássicos de Fantasma”, segunda edição revista e ampliada, com 42 contos sobre assombrações, vinganças e aparições espectrais; e “Poderes das Trevas”, versão sueca de “Drácula”, de Bram Stoker, com tradução de Luciano Dutra.


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