Decreto foi alvo de debate parlamentar e teve ampla maioria, apenas com votos desfavoráveis do Chega. Ainda, Islândia fecha portas ao regresso das negociações para aderir à União Europeia.

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Notícias. Jornal do Meio-Dia com Vasco Maldonado Correia. A Islândia já conhece o resultado do último referendo e fecha portas ao regresso às negociações para aderir à União Europeia.

O país foi a votos ontem num referendo que estava previsto apenas para 2027, mas foi antecipado por motivos sobretudo económicos. A contagem ainda não está fechada, mas a estação pública de televisão da Islândia avança com a vitória do não no referendo. Ao que tudo indica, a Islândia não deverá, por isso, retomar as negociações para a adesão à União Europeia, negociações essas que estão suspensas desde há 11 anos. É nosso convidado neste jornal Paulo Sande, especialista em assuntos europeus. Antes de mais, Paulo Sande, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite.

Deixe-me perguntar se a Europa deve estar preocupada com a sua capacidade de atração de novos Estados-membros quando temos notícias como esta.

Esta hipótese da Islândia voltar às negociações, o pedido de adesão foi feito na sequência da crise económica de 2009, e depois foi congelado em 2013, quando chegou ao governo um partido mais eurocético. A Islândia tem um problema há muito tempo, que é a questão da pesca. A pesca é uma espécie de pilar económico do país, é sobretudo da pesca que a Islândia vive, e há uma grande oposição por parte das empresas relacionadas com a pesca em relação à hipótese da adesão. A União Europeia tem sido mais conciliadora nos últimos tempos. A Comissária para o Alargamento vai dizer que tinha que se olhar para a especificidade islandesa, mas a verdade é que os islandeses continuam, no fundo, a mostrar-se céticos em relação a essa hipótese. É uma má notícia para a União Europeia, mas já agora lembrar que a Islândia faz parte do Espaço Económico Europeu e do Espaço Schengen e, portanto, de alguma forma, não sendo membro da União Europeia e protegendo dessa forma o controle sobre as suas pescas, acaba por estar muito ligada e vai continuar a estar muito ligada à União Europeia.

E esta notícia fragiliza de alguma maneira a União Europeia?

Sem dúvida. No fundo, a Islândia é um país rico, economicamente seria muito interessante para a Europa e politicamente também. Já agora, esta hipótese desta adesão, este pedido de serem retomadas por parte do governo e em particular o primeiro-ministro social-democrata, acaba por ser um pedido também na linha do que tem acontecido, as ameaças à Groenlândia por parte de Donald Trump. Donald Trump já várias vezes confundiu a Islândia com a Groenlândia e, naturalmente, essa foi uma das razões. Agora, efetivamente há este problema de fundo, que é o problema das pescas, que é a grande questão e que torna naturalmente mais difícil a adesão. Agora o governo provavelmente irá pedir que seja retirado o pedido de adesão, que foi feito, como disse, em 2009, na sequência da grande crise económica dessa altura. Todo este processo vai ficar congelado pelo menos até 2028, mas é uma má notícia, sem dúvida nenhuma.

Mas concorda então que as razões têm mais a ver com questões internas da Islândia do que propriamente com o problema de fundo da União Europeia?

Sim, é sobretudo uma questão interna. Aliás, a discussão foi um pouco política por um lado, é geopolítica também. A Islândia é um país muito importante nessa perspectiva. E como eu disse, e repito, acho que é de facto a questão central, é o receio que existe por parte do tal pilar da economia islandesa, em particular as empresas de pescas, os pescadores, todo o setor que se opõe, que é muito firmemente contrário a esta hipótese, repito, sendo que a Islândia, por outro lado, já está muito ligada à União Europeia. Não me parece que haja aí nenhum sinal, neste caso, não haverá nenhum sinal de rejeição do projeto da União Europeia em si, senão a Islândia não estaria tão ligada como está ao bloco dos 27 Estados-membros.

Mas este momento mostra também, ou é representativo também do momento histórico que atravessamos, justo porque durante várias décadas a questão era quantos países é que iam entrar mais na União Europeia, desde o Brexit isso mudou. Este é um sinal preocupante também nesse sentido?

Há dez países que continuam, que são candidatos, uma boa parte deles em negociações avançadas, etc. É verdade que se quisermos olhar para uma espécie de compasso moral, ou pelo menos compasso político relacionado com estas questões, nós podemos pensar por que a Turquia é candidata desde há 27 anos e neste momento provavelmente está mais longe do que nunca de aderir. Outros países, os Balcãs, etc., também são candidatos e de repente a Islândia, quando eu digo de repente é que de facto havia sinais que se a Islândia retomasse as negociações, que este processo seria bastante rápido. E de repente a Islândia pede a adesão, mas isto também tem a ver, naturalmente, com aquilo que eu já disse, é primeiramente um país economicamente muito interessante para a União Europeia, seria um sinal político muito forte e depois do ponto de vista estratégico é um país também muito importante para a União Europeia. Portanto, efetivamente, é um momento muito conturbado, sabemos todos o que estamos a viver e na minha opinião é uma pena, seria útil e importante para o bloco europeu e para a Europa, que está neste momento em uma guerra no seu território, dentro do seu continente. Esta não é uma boa notícia, é evidente que não, mas repito, nada muda, nada de especial, nem parece que o governo, que é uma coalizão de três partidos, o governo islandês, vai cair por causa disto. Enfim, o mandato acaba em 28 e depois nessa altura saberá em que pé é que este processo está.

Fica então clara essa ideia. Paulo Sandro, muito obrigado por ter estado aqui com a Rádio Observador. Estivemos aqui a tentar compreender as razões que levam a esse não, que foi decidido pelo povo islandês para o regresso às negociações para aderir à União Europeia.

Olhamos agora para a situação no Nepal. Subiu para 750 o número de vítimas mortais devido à enxurrada da passada quarta-feira.

Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas dos dois lados da fronteira. Essa lista inclui um cidadão português. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa já tinha referenciado seis portugueses desaparecidos no Nepal, três foram entretanto encontrados com vida.

Entretanto, o líder supremo do Irão faz um apelo a todos os países muçulmanos e pede para se unirem contra os Estados Unidos e Israel.

Um apelo por escrito, mensagem que surge seis meses depois do início da guerra no Médio Oriente. Moitaba Khamenei nunca mais foi visto em público, desde a altura em que sucedeu ao pai, o Aiatolá Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia da ofensiva com o Irão a 28 de fevereiro. O atual líder supremo do Irão diz que a solução para os problemas da comunidade muçulmana reside na unidade da palavra, na amizade e na cooperação no caminho do bem. Pede, por isso, a todos os países muçulmanos que se unam contra esse inimigo comum, os Estados Unidos e Israel.

Ainda na atualidade internacional, a Rússia anuncia que está a preparar um ataque de larga escala contra a infraestrutura energética da Ucrânia.

Aviso do Ministério da Defesa russo. De acordo com a Reuters, a Ucrânia também tem intensificado a campanha contra as instalações energéticas russas. Durante a madrugada, um ataque ucraniano com um drone atingiu uma refinaria no noroeste da Rússia, provocou um incêndio, ainda sem registro de feridos. O ataque acontece um dia depois da ofensiva aérea russa no distrito de Bucha, perto de Kiev, que causou pelo menos 37 vítimas mortais.

Na Venezuela, a presidente interina Delcy Rodríguez garante que o país mantém o controle do petróleo ao abrigo do acordo assinado com Washington.

Promessa feita por Delcy Rodríguez, em sentido contrário às declarações de Donald Trump, presidente norte-americano, que tinha anunciado o controle de 65 mil milhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, naquilo que descrevia como o maior acordo de petróleo da história do planeta. Num discurso transmitido pela televisão pública venezuelana, Delcy Rodríguez pede que fique claro que o controle permanece na Venezuela. A presidente defende, ainda assim, o acordo, sublinha que vai permitir ao país beneficiar de capital, tecnologia e capacidade operacional para apoiar a recuperação de uma indústria estratégica severamente impactada pelas sanções. Explica também que o acordo vai ter a duração de 25 anos, uma meta de produção superior a 1,5 milhões de barris por dia.