Pesquisa do Boston Consulting Group mostra também que carga mental dos funcionários aumentou, apesar da economia de tempo trazida pelas máquinas

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Pesquisa do Boston Consulting Group com 11.749 profissionais em 14 mercados mostra que 47% já passam mais tempo orientando e supervisionando IA do que executando tarefas. Embora 67% dos usuários regulares digam estar mais satisfeitos, 41% relatam maior carga mental. Entre funcionários sem cargo gerencial que usam IA com frequência, 42% economizam pelo menos oito horas por semana, mas 66% recebem pouca ou nenhuma orientação sobre como aproveitar esse tempo. O resultado sugere que a IA reduz parte da execução, porém aumenta a necessidade de supervisão, julgamento e pensamento crítico.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Será que você vai perder seu emprego para uma inteligência artificial? A pergunta (já antiga) continua a ecoar, mas ganhou respostas ao longo dos últimos anos.

Em alguns casos, sim. Em outros, a presença das máquinas já alterou de maneira significativa a rotina: 47% dos profissionais passam hoje mais tempo do dia a dia orientando máquinas do que fazendo tarefas.

A conclusão vem de uma pesquisa recém-divulgada pelo Boston Consulting Group, que ouviu 11.749 profissionais, entre funcionários sem cargo gerencial, gestores e líderes, em 14 mercados, incluindo o Brasil.

Ou seja, em vez da temida substituição por IAs, a chegada delas tem levado o profissional humano a ocupar outra função: orientar, supervisionar, conferir e corrigir uma máquina.

Isso não significa que 47% das pessoas passam mais da metade do expediente conversando com ChatGPT, Gemini ou Copilot. A pesquisa é declaratória, portanto mede a percepção dos entrevistados sobre como o trabalho está sendo distribuído.

E gerenciar IA, evidentemente, TAMBÉM é trabalhar. Mesmo assim, o número ajuda a identificar uma transformação bem concreta.

Vou usar a rotina de um jornalista como exemplo. Se antes essa pessoa pesquisava informações, organizava material e escrevia, agora pode pedir à IA que procure padrões em documentos, resuma uma entrevista ou organize determinados dados.

Mas a máquina só consegue fazer isso (de maneira decente) se o jornalista explicar o contexto, definir critérios, conferir o resultado, identificar erros e decidir o que pode ou não ser usado.

Sempre repito, nas minhas palestras e aulas, que esse cenário de trabalho obriga os profissionais a investir no próprio repertório. Porque, de que outra maneira você vai conseguir avaliar a entrega da máquina?

Qualquer pessoa pode pedir um texto ao Claude, mas saber se aquilo presta ou não depende de conhecer boa escrita — é aí que muita gente se complica, e acha que todo travessão (como o que acabei de usar) vem de IA. Não, não vem. Idem para pontuação aplicada corretamente, algo que aprendi e pratiquei durante toda minha vida adulta.

Mas, de volta à pesquisa, após esta breve digressão sobre língua portuguesa.

Outra coisa que costumo repetir é que esse negócio de “a IA vai liberar tempo para você se dedicar a tarefas estratégicas” é balela.

Como em inovações anteriores, a tendência é que a eficiência em realizar tarefas invariavelmente leve à execução de MAIS tarefas. Talvez não a mesma, talvez algo um pouco mais elaborado, mas não necessariamente estratégico.

Isso aparece na pesquisa do BCG na forma de uma contradição interessante. Por um lado, 67% dos usuários dizem que a IA aumentou a satisfação com o trabalho.

Maravilha, não?

Só que, por outro, 41% dos entrevistados também dizem enfrentar maior carga mental, enquanto outro dado da pesquisa mostra que 41% passaram a gastar mais tempo tomando decisões.

Imagine que antes você precisava produzir dez coisas. Agora a IA ajuda a produzir vinte. A parte mecânica pode ficar mais rápida, só que aparecem vinte resultados para avaliar, vinte decisões para tomar e, dependendo da atividade, vinte oportunidades de deixar passar alguma besteira criada pela máquina.

A questão do que fazer com a economia de tempo, ainda segundo a pesquisa, precisa de direcionamento das lideranças.