Levantamento do Instituto Locomotiva, conduzido em parceria com o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), revela baixa adesão a exames preventivos

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Uma nova pesquisa acende um alerta para a prevenção do câncer de colo do útero no Brasil: 61% das brasileiras entrevistadas afirmaram não ter realizado o exame Papanicolau no último ano. O levantamento também identificou lacunas no conhecimento sobre prevenção e vacinação contra o HPV.

A segunda edição da pesquisa Percepção das Brasileiras sobre Tumores Ginecológicos e Práticas de Prevenção, realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), ouviu 800 mulheres de 18 a 45 anos, das classes A, B, C e D e de todas as regiões do país.

Embora o acesso à informação tenha aumentado, os dados mostram que esse conhecimento nem sempre se transforma em cuidados preventivos. Segundo a pesquisa, 26% das mulheres entre 18 e 45 anos não sabem para que serve o Papanicolau.

Quando o assunto é imunização, 39% das entrevistadas disseram não ter tomado ou não se lembrar de ter recebido a vacina contra o HPV. Entre aquelas que não se vacinaram contra o vírus, um dos principais motivos apontados foi a percepção de que a imunização não seria indicada para a sua idade.

Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de mulheres que afirmam conhecer bem a vacina contra o HPV: 44% declararam ter bastante conhecimento sobre a imunização, ante 38% na edição anterior da pesquisa.

“A pesquisa mostrou que o acesso à informação melhorou, mas ainda há uma distância entre reconhecer a importância da prevenção e a realização efetiva da prevenção por meio da vacinação contra o HPV e da realização dos exames”, afirma Andréa Gadelha, presidente do Grupo EVA.

Segundo a especialista, o acompanhamento médico e exames como o Papanicolau e o teste de DNA do HPV têm papel importante na prevenção e na identificação de alterações relacionadas ao câncer de colo do útero.

O levantamento também avaliou a realização de exames ginecológicos de rotina. Apenas 39% das entrevistadas disseram ter feito o Papanicolau no último ano, enquanto 22% realizaram o teste de DNA-HPV.

Apesar dos números ainda baixos, houve avanço em comparação com o levantamento anterior. Em 2025, 37% das participantes disseram ter feito o Papanicolau, enquanto somente 13% haviam realizado o teste de DNA-HPV.

Outro dado chama atenção: 34% das entrevistadas não se consideram parte do grupo de risco para o câncer de colo do útero.

Os resultados surgem em um momento de atenção para a doença no país. De acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citadas pelo levantamento, o Brasil deve registrar mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano entre 2026 e 2028.

A estimativa representa um aumento de aproximadamente 14% na incidência em comparação ao triênio anterior.

A infecção persistente por determinados tipos do papilomavírus humano (HPV) é o principal fator associado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero. Por isso, vacinação, acompanhamento ginecológico e realização dos exames de rastreamento indicados para cada faixa etária estão entre as principais estratégias de prevenção.

Os dados ganham destaque durante o Setembro em Flor, campanha criada pelo Grupo EVA para ampliar a conscientização sobre cinco tipos de tumores ginecológicos: câncer de colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina.

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