Fora, Moraes7 de Setembro dá protagonismo a Mendonça às vésperas de dias decisivos no STFPor Gabriel de Arruda Castro
Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleBoneco inflável de André Mendonça na Avenida Paulista no 7 de Setembro: protagonismo. (Foto: Luisa Purchio/Gazeta do Povo)Ouça este conteúdo
As tradicionais manifestações de 7 de Setembro oscilaram de tamanho nos últimos anos, e por vezes falharam em encontrar uma pauta única que catalisasse o sentimento popular.
Mas, em 2026, os atos do Dia da Independência parecem ter encontrado uma mensagem clara: apoio a André Mendonça como a figura que, enfim, colocou Alexandre de Moraes em uma situação de fragilidade.
As pessoas que encheram parte da Avenida Paulista e da Esplanada dos Ministérios expressaram o apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal, talvez por acreditarem que, pela primeira vez, Alexandre de Moraes encontrou um desafiante que tem não apenas a disposição de contestar os seus abusos mas também o poder constitucional para fazê-lo em pé de igualdade.
Mendonça ganhou até o seu próprio boneco inflável ao lado do MASP (Museu de Arte de São Paulo), ao centro de um protesto que ocupou quatro quarteirões em uma tarde fria e chuvosa.
As faixas, que até agora exibiam dizeres contra o STF e contra Lula, agora encontraram uma causa a favor: a favor da atuação de Mendonça.
Os protestos em São Paulo e em outras cidades do Brasil não tiveram a dimensão dos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff. Mas o saldo é o de que a causa do “Fora, Moraes”, encontrou um fôlego novo. Se a pressão das ruas, as sanções do governo americano e a ameaça de impeachment foram incapazes de fazê-lo, talvez a atuação de Mendonça possa finalmente começar a por fim aos excessos do ministro mais autoritário do Supremo.
Dias depois de virem à tona mensagens demonstrando a intimidade entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro — em uma investigação presidida por André Mendonça —, o caso esteve no centro das manifestações.
Um dos principais organizadores dos atos na Avenida Paulista nos últimos anos, o pastor Silas Malafaia centrou seu discurso nas revelações recentes envolvendo a relação de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O pastor citou o contrato entre o banqueiro e a mulher de Moraes, Viviane Barci, como "uma prova da compra do poder da influêcia desse ditador (Moraes)".
Em um dos momentos de mais entusiasmo do público, Malafaia pediu que Edson Fachin afaste Alexandre de Moraes do STF: “Vai aqui o meu pedido ao excelentíssimo senhor presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin: pelo bem da Suprema Corte, afaste Alexandre de Moraes”, apelou.
Malafaia afirmou que Moraes acusou André Mendonça “para sair da lama em que está envolvido”.
O pastor também afirmou que os demais ministros do STF devem ficar alertas porque, se nada for feito, Moraes pode se voltar contra eles no futuro.
Além de Brasília e São Paulo, os atos desta segunda-feira mobilizaram pelo menos outras 14 cidades.
Além das revelações sobre Moraes, um fator ajudou a reforçar os atos do 7 de Setembro: a proximidade das eleições.
PL E NOVO apoiaram formalmente as manifestações, e quatro candidatos à Presidência se pronunciaram sobre o STF.
Flávio Bolsonaro (PL) esteve no ato da Avenida Paulista, e adotou contra Moraes um tom mais incisivo do que havia mantido até pouco tempo. Em busca de votos na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro se juntou ao coro de “Fora, Moraes”. "Eu vou indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair", afirmou Flávio, em um discurso do alto do carro de som.
Romeu Zema (NOVO) também esteve na Avenida Paulista e, em suas redes sociais, divulgou um vídeo em que critica o STF. Sua campanha também providenciou um banner com os dizeres “Chega de Intocáveis”.
Augusto Cury (Avante), por sua vez, participou de um ato de campanha no Rio de Janeiro. Sobre um trio elétrico, ele iniciou seu discurso mandando “um abraço” a Mendonça.



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