O governo esperava meio milhão de candidatos; chegaram quase o dobro. A maioria é da América Latina e o prazo para apresentar pedidos termina já a 30 de junho.

Mais de 900 mil imigrantes apresentaram já pedidos de regularização da situação em que vivem em Espanha, ao abrigo de um processo extraordinário lançado em abril, a larga maioria oriunda de países da América Latina, incluindo o Brasil.

O Governo espanhol abriu o processo em 16 de abril e estimava que poderia abranger meio milhão de pessoas, mas já há mais de 900 mil candidaturas, segundo os dados oficiais mais recentes, revelados ainda antes de terminar o prazo para apresentar pedidos (em 30 de junho).

Este processo destina-se a estrangeiros sem antecedentes penais que tenham entrado em Espanha até 31 de dezembro de 2025 e que certifiquem uma permanência ininterrupta de cinco meses no país.

ONG e também entidades oficiais apontam que cerca de 80% ou mais dos imigrantes que vivem em situação irregular e vão beneficiar deste processo são oriundos da América Latina, em linha com os estudos que dão conta de que a esmagadora maioria dos estrangeiros que acabam a viver e a trabalhar em Espanha em situação irregular entram no país de avião, como turistas.

Essa procura do escritório coincidiu, inicialmente, com o final dos governos socialistas de António Costa e os atrasos e problemas de resposta por parte da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo), e manteve-se com a mudança de executivo para o PSD.

Em resposta, aconselhou os homólogos da UE, na semana passada, no final de um Conselho Europeu, a falarem com o Vaticano sobre este tema.

O processo extraordinário de regularização de imigrantes em Espanha teve o apoio de ONG, da Igreja Católica, dos sindicatos e das associações empresariais e foi criticado pelos partidos de direita e de extrema-direita.