Bernarda Rosalba Vera Contardo está viva e mora na Argentina. Memoria Viva/Chilevisión A chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, na realidade, não era uma prisioneira desaparecida. Ela foi considerada por décadas uma das vítimas de desaparecimento forçado da ditadura de Augusto Pinochet (1915-2006) no Chile. Mas, na verdade, ela está viva e mora na Argentina. Seu paradeiro foi perdido em outubro de 1973, pouco depois do golpe de Estado no Chile. Ela se casou novamente, teve filhos,
Bernarda Rosalba Vera Contardo está viva e mora na Argentina. — Foto: Memoria Viva/Chilevisión
A chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, na realidade, não era uma prisioneira desaparecida.
Ela foi considerada por décadas uma das vítimas de desaparecimento forçado da ditadura de Augusto Pinochet (1915-2006) no Chile. Mas, na verdade, ela está viva e mora na Argentina.
Seu paradeiro foi perdido em outubro de 1973, pouco depois do golpe de Estado no Chile. Ela se casou novamente, teve filhos, adquiriu a nacionalidade sueca e morou por anos na província de Buenos Aires.
Foi ali, em um balneário de Miramar, ao sul da capital argentina, que a emissora de TV Chilevisión a encontrou em meados do ano passado.
Agora, a Justiça confirmou que se trata da mesma pessoa que se acreditou estar morta há muitos anos.
O relatório pericial de DNA ordenado pelo ministro extraordinário chileno para causas relacionadas aos direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre, permitiu confirmar nesta semana o verdadeiro destino da mulher que, agora, tem 80 anos de idade.
Os antecedentes científicos, correspondentes ao perfil genético e às amostras dos seus familiares, disponíveis no Banco Genético de Familiares de Prisioneiros e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile, determinaram uma probabilidade de identificação de mais de 99,9999%, segundo a Justiça chilena.
Fontes do Poder Judiciário do Chile declararam à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que foi solicitado a ela que se submetesse a um teste e ela teria concordado.
O processo teria sido realizado por meio de um tribunal de Mar del Plata, na Argentina.
Em 1973, Bernarda Vera tinha 27 anos, era casada e tinha uma filha de cinco anos de idade.
Ela trabalhava como professora de uma escola pública de Puerto Fuy, no Complexo Madeireiro e Florestal Panguipulli, na região de Los Ríos, no sul do Chile.
Vera era uma militante política ativa e fazia parte do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR, na sigla em espanhol) e do Movimento Camponês Revolucionário (MCR).
A Comissão da Verdade e Reconciliação foi formada em 1990, durante os primeiros meses de governo do presidente Patricio Aylwin (1918-2016). Seu objetivo era reconstruir as violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura chilena (1973-1990).
Esta comissão recebeu o testemunho dos pais de Bernarda Vera, que haviam perdido seu paradeiro pouco antes do golpe de 1973.
O Relatório Rettig publicou o trabalho realizado pela comissão em 1991, incluindo Vera como uma das 1.469 vítimas de desaparecimento forçado no Chile.
O trabalho definiu que ela havia sido detida por militares no dia 10 de outubro de 1973, em Liquiñe, na região da pré-cordilheira dos Andes no sul do país. Ela teria sido supostamente executada, segundo o relatório, ao lado de outras 15 pessoas.
"Acredita-se que ela tenha sido executada na ponte de Villarrica sobre o rio Toltén, ao lado dos outros prisioneiros de Liquiñe. Ela permanece desaparecida desde o momento da sua detenção", afirma o documento oficial, publicado 35 anos atrás.
"Segundo o relatado por outras testemunhas, ela se encontrava escondida em algum local do Complexo Madeireiro, pois era intensamente procurada pelas autoridades militares."
"Seus familiares haviam sido informados de que ela havia sido condenada à morte à revelia no processo instaurado sobre o ataque à barreira de Neltume, do qual foi acusada de ter participado", destaca o Relatório Rettig.




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