Equipes tentam chegar a mais de 900 trabalhadores presos em túneis no Nepal Seis dias depois das avalanches e inundações que devastaram o Nepal e o Tibete, a tragédia se agrava cada vez mais. Somente no Nepal, o número de mortos já supera os 900 e as autoridades receiam que a cifra siga aumentando nos próximos dias. As preocupações se intensificaram particularmente nas últimas 24 horas. O número de desaparecidos disparou de 2.502 para 3.925, segundo dados publicados nesta s

01/09/2026 00h00 Atualizado 01/09/2026

Equipes tentam chegar a mais de 900 trabalhadores presos em túneis no Nepal

Seis dias depois das avalanches e inundações que devastaram o Nepal e o Tibete, a tragédia se agrava cada vez mais.

Somente no Nepal, o número de mortos já supera os 900 e as autoridades receiam que a cifra siga aumentando nos próximos dias.

As preocupações se intensificaram particularmente nas últimas 24 horas. O número de desaparecidos disparou de 2.502 para 3.925, segundo dados publicados nesta segunda-feira (31/8) pela Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal.

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Entre os desaparecidos, encontram-se 639 trabalhadores vinculados a diferentes projetos hidrelétricos, em funcionamento ou em construção. Eles estão localizados na região mais afetada pela catástrofe.

As autoridades acreditam que muitos deles tenham ficado presos nos túneis empregados para desviar a água dos rios do Himalaia em direção às turbinas das centrais hidrelétricas.

Para acelerar os trabalhos de remoção de escombros, as equipes de resgate usam maquinaria pesada, drones e cães treinados, além de explosivos, segundo informou no domingo (30/8) o escritório do primeiro-ministro nepalês.

Nas últimas horas, especialistas da China, Índia e Coreia do Sul se juntaram às tarefas de busca dos desaparecidos nos túneis.

Todos os olhos sobre Trishuli

Equipes de resgate participando de uma operação de salvamento perto do túnel do Projeto Hidrelétrico Trishuli 3A, no Nepal — Foto: Nepal Prime Minister's Office via Reuters

A tragédia da quarta-feira passada (26) arrasou cerca de 13 projetos hidrelétricos situados ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli. Eles ficavam particularmente no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, território controlado pela China.

Todos os olhares se voltaram para a usina Trishuli-3A, construída entre 2011 e 2019. Ela conta com um túnel de adução com mais de 4 km de comprimento.

Através dele, a água do rio Trishuli é dirigida para uma casa de máquinas subterrânea, equipada com duas turbinas de 30 MW cada uma.

As autoridades suspeitam que, neste túnel, possa haver centenas de trabalhadores presos. Por isso, nas últimas horas, cerca de 90 socorristas, incluindo soldados, policiais e membros da defesa civil, foram deslocados para a usina hidrelétrica.

Utilizando maquinaria pesada e explosões controladas, eles conseguiram abrir um acesso com cerca de 10 metros de profundidade.

Os socorristas lançaram mensagens através da abertura, mas, até o momento, "não receberam resposta do lado interno", segundo o escritório do primeiro-ministro do Nepal, na sua conta no X.

"Estes túneis são suficientemente grandes para a passagem de caminhões. Existe espaço suficiente para que as pessoas se refugiem ali", explicou à imprensa mexicana o professor Jakob Steiner, da Universidade de Graz, na Áustria.

As autoridades suspeitam que a maioria dos trabalhadores desaparecidos esteja no túnel de Trishuli-3A.