A visão convencional em Washington é que os democratas se encontram em posição favorável para assumir o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, até do Senado Getty Images/via BBC James Stevens se autodenomina um socialista democrata. Estudante de cinema com 24 anos, ele é o tipo de democrata que lembra um comentarista de esquerda americano provocador, Hasan Piker, seis anos atrás, "antes que ele ganhasse relevância na política". No ano passado, Stevens saiu da sua casa

A visão convencional em Washington é que os democratas se encontram em posição favorável para assumir o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, até do Senado — Foto: Getty Images/via BBC

James Stevens se autodenomina um socialista democrata.

Estudante de cinema com 24 anos, ele é o tipo de democrata que lembra um comentarista de esquerda americano provocador, Hasan Piker, seis anos atrás, "antes que ele ganhasse relevância na política".

No ano passado, Stevens saiu da sua casa no Estado americano da Geórgia para Nova York, para trabalhar na campanha do atual prefeito da cidade, Zohran Mamdani.

Sua mãe, Tamara, tem 56 anos e também é fiel aos democratas. Mas ela é diferente.

Ela era republicana quando jovem e passou a ser democrata ao assistir ao ex-presidente Barack Obama no programa de Oprah Winfrey na TV.

Atualmente, ela é leal ao partido, defende os direitos reprodutivos, participa dos comícios de campanha e faz doações aos candidatos locais.

Mãe e filho desejam que os democratas conquistem o controle do Congresso, nas eleições de meio de mandato (midterms, em inglês) de terça-feira (3/11). Mas eles não estão totalmente de acordo em relação ao que desejam para o seu partido.

"Estou muito cansada de ver como os democratas são flexíveis quanto às políticas dos republicanos que não beneficiam um grande grupo de pessoas", conta Stevens, sob o olhar de sua mãe. "É preciso haver uma visão corajosa entre os democratas."

Ele acredita que o partido deveria adotar políticas defendidas pelos Socialistas Democratas da América (DSA, na sigla em inglês), um grupo dissidente de esquerda. Para ele, isso significa antissionismo, retirada do financiamento corporativo da política e saúde pública gratuita administrada pelo governo.

A visão convencional em Washington é que os democratas se encontram em posição favorável para assumir o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, até do Senado, nas eleições de 3 de novembro.

As condições estruturais favorecem o Partido Democrata. Afinal, o índice de aprovação do republicano Donald Trump encontra-se no mínimo histórico para um presidente em meio de mandato. É um nível comparável ao do ex-presidente George W. Bush em 2006, durante seu segundo mandato.

A guerra no Irã ainda não acabou e está se mostrando impopular junto ao eleitorado americano. E o conflito gerou aumento dos preços da gasolina, o que vem decepcionando um eleitorado já preocupado com a alta do custo de vida.

Tradicionalmente, as midterms são um referendo sobre o presidente que está no poder. O partido do governo perdeu assentos na Câmara em 18 das últimas 20 eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Ainda assim, apesar de todas estas circunstâncias, o Partido Democrata também é impopular em todo o país.

A média das pesquisas do portal Real Clear Politics mostra que o público americano considera os democratas apenas um pouco melhores que os republicanos. E pesquisas recentes concluíram que o Partido Democrata ainda detém saldo desfavorável na sua avaliação pelos cidadãos americanos.

Analistas políticos afirmam que, se os republicanos conseguirem contrariar as tendências e sobreviver às eleições de novembro com liderança no Congresso, um dos principais motivos será porque a maioria dos eleitores americanos também não aprecia o Partido Democrata (ou a marca dos democratas).

Por trás das manchetes sobre qual partido ou quais candidatos irão vencer na terça-feira, há também uma história sobre a identidade democrata levantada por esta eleição. Existe uma luta entre os institucionalistas e os reformistas — as pessoas que querem mudanças paulatinas e as que exigem transformações profundas.

A questão é: quem irá vencer no longo prazo?