Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz - Valter Campanato/Agência Brasil O ministro da Previdência Social, o pernambucano Wolney Queiroz, anunciou nessa quinta-feira (3), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o INSS zerou a fila de espera para a análise de processos no país.

Há um ano e quatro meses à frente da pasta - ele assumiu em maio de 2025, substituindo Carlos Lupi - o ministro enfrentou o desafio de recompor a imagem do órgão, abalado também pelas investigações da CPMI sobre descontos indevidos a aposentados. Em conversa por telefone, Wolney Queiroz explicou como o tempo médio de análise caiu de 45 dias para 34 dias, detalha as cinco medidas estratégicas que permitiram o avanço e responde às críticas sobre o impacto da concessão de benefícios nas contas públicas. Registrou que o INSS recebe por mês, em média, 1,3 milhão de novos pedidos para serem analisados, o equivalente a 43 mil pedidos por dia ou 1.800 pedidos por hora. Mensalmente o número de pedidos corresponde a 18 Maracanãs lotados. "Tem menos gente na fila do que entrou no mês passado. Logo, não é fila é fluxo/atendimento". Esse foi o texto de um cartão distribuído no encontro dessa quinta.   A notícia de que a fila do INSS foi zerada gerou reações mistas e críticas de setores do mercado financeiro sobre o impacto no gasto público. Como o senhor avalia essa reação? Wolney Queiroz - Toda vez que me cobravam prazo, eu dizia: no dia em que eu zerar a fila, vão dizer que estourei a meta fiscal e as contas públicas. Você nunca agrada ao mercado. Quando se concede muito benefício, a conta aumenta, e aí já não falam mais da fila, passam a falar do gasto da Previdência. Mas o que alcançamos foi algo histórico. O que significa, na prática, "zerar a fila"? Wolney Queiroz - É quando a "fila" passa a se chamar "fluxo". Imagine um restaurante com 80 mesas: todas estão ocupadas, as pessoas estão sendo atendidas - umas pedindo, outras no cafezinho ou pagando - mas não há ninguém esperando na porta. Zerar a fila significa ter autonomia para responder a tudo o que entra no prazo legal de 45 dias. Hoje, a média do Brasil é de 34 dias. Uma aposentadoria simples, por exemplo, sai em oito dias. E por que ainda existem processos que demoram mais tempo? Wolney Queiroz - Benefícios como o BPC exigem perícia médica e avaliação biopsicossocial, além de casos em que o segurado precisa de 30 dias para cumprir exigências de documentação. Isso é uma contingência natural do procedimento de atendimento, não um represamento por falha do INSS. A fila represada acabou.