O veterano jornalista Ernesto Paglia deveria ter o repertório necessário para conduzir uma conversa sobre um dos maiores intelectuais brasileiros. O que se viu no Roda Viva, da TV Cultura, na segunda (17) foi um retrato triste da ignorância sobre Paulo Freire…
Paglia quis saber de Paulo Blikstein, professor da Universidade de Columbia, nos EUA, o que Freire tem a ver com sua disciplina.
Faltou lição de casa.
A resposta de Blikstein foi uma aula. Começou lamentando que Freire tenha sido transformado em motivo de divisão político-eleitoral no Brasil, comparado a temas como vacinas e mudança climática.
Blikstein também mostrou como a ideia de que a aprendizagem é mais eficaz quando é relevante para a vida, a cultura e a comunidade do aluno é hoje a base dos sistemas educacionais mais modernos do mundo — inclusive das escolas de elite de São Paulo e dos projetos de robótica e programação que aproximam a tecnologia da realidade das crianças.
Quando um profissional como Paglia confessa que sabe de Freire apenas superficialmente, o problema não é apenas que ele não correu atrás de conhecimento: é de uma imprensa que, com frequência, trata assuntos fundamentais como pautas menores, não estuda, e não faz seu papel como mediadora para impedir que boçais sejam eleitos e tentem dar golpes de estado.




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