Aplicativo usa IA para avaliar jovens atletas e encontrar novos talentos no Brasil
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Ansiosos para causar uma impressão positiva, os jovens jogadores de futebol corriam e driblavam em torno dos cones roxos espalhados no gramado irregular. A velocidade, o controle e o trabalho deles com os pés estavam sendo cuidadosamente avaliados —mas não por um olheiro experiente.
Nem mesmo por um ser humano.
Na verdade, os atletas brasileiros estavam sendo analisados por um aplicativo móvel com inteligência artificial, parte de um conjunto de novas ferramentas que prometem revolucionar a forma como os talentos são descobertos no país apaixonado pelo esporte.
"Estamos falando de milhões de meninos e meninas desconhecidos. Essa é uma grande oportunidade para que eles se destaquem", disse Roger Wittmann, agente esportivo alemão que criou o Cuju, aplicativo de prospecção de talentos que tem ganhado espaço no Brasil.
Com muita rapidez, plataformas como o Cuju atraíram centenas de milhares de usuários em uma nação onde jogar futebol profissional é um sonho compartilhado por muita gente. As ferramentas também chamaram a atenção de grandes clubes, alguns dos quais já estão usando aplicativos para recrutar jogadores.
No Brasil, onde o futebol está profundamente entrelaçado com a vida cotidiana, a exportação de talentos de ponta é maior do que em qualquer outro país do mundo. Alguns de seus atletas ganham milhões de dólares nos principais clubes europeus.
As plataformas de prospecção de talentos baseadas em IA já são comuns na Europa. Lá, a avaliação de talentos no futebol há muito se baseia em métricas e estatísticas. No Brasil, entretanto, as profundas desigualdades econômicas e regionais têm historicamente dificultado a padronização das práticas de prospecção.
Até recentemente, a descoberta de talentos do futebol brasileiro dependia dos tradicionais olheiros. Esses caçadores de talentos experientes costumam passar décadas observando partidas amadoras, campeonatos de bairro e torneios escolares, nas mais diversas partes do país, em busca do próximo grande astro (ou estrela).
Agora, contudo, uma tecnologia poderosa de IA pode identificar talentos emergentes de forma mais rápida e eficaz do que apenas o olho humano. Também pode alcançar mais aspirantes a atleta profissional em todo o imenso território brasileiro, dando até mesmo àqueles que vivem em uma região remota a chance de serem descobertos.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
A maior parte das plataformas de prospecção baseadas em IA funciona analisando vídeos que os usuários enviam ou exercícios que gravam diretamente nos aplicativos. Avaliando uma gama vasta de habilidades, desde a velocidade até o controle de bola, elas geram uma pontuação e incluem os atletas em um banco de dados. Neste, agentes humanos em busca de talentos podem encontrá-los, ou os próprios aplicativos podem apresentar os atletas diretamente a clubes específicos.
Por enquanto, pelo menos parte do recrutamento de talentos permanece sob o controle de humanos. Mas os avanços na IA estão gerando discussões sobre quanto desse processo deve ser delegado às máquinas.
Em uma manhã fria de domingo, segurando chuteiras gastas e enlameadas, algumas dezenas de adolescentes ocupavam as arquibancadas de concreto desbotadas de um estádio modesto no interior do estado de São Paulo.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário