Pesquisadores identificaram que vídeos de baixa qualidade são sugeridos pelo algoritmo da plataforma e que criadores não avisam sobre o uso de tecnologia

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

24.jul.2026 às 17h09

Um urso panda reencontra um antigo cuidador e reage com surpresa, quase como se fosse um ser humano. A imagem é extremamente realista.

Um avatar de Jesus aparece em uma praia construindo estátuas de si mesmo.

Músicas infantis que não têm refrão claro, trazem letras incompreensíveis e misturam trechos em mais de um idioma.

Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação.

Estes são alguns dos vídeos aparentemente criados com inteligência artificial e sugeridos pelo algoritmo do YouTube, inclusive após buscas relacionadas ao universo infantil.

Em um teste da BBC News Brasil, bastaram cerca de 15 minutos navegando pelos vídeos curtos da plataforma para que clipes desse tipo aparecessem. A busca inicial havia sido por temas como os jogos Roblox, Minecraft e vídeos de animais.

Produzidos em escala e replicados por diferentes canais, muitos desses conteúdos acumulam dezenas ou centenas de milhares de visualizações.

Criadores chegam a recomendar o nicho infantil como uma oportunidade de negócio e afirmam ser possível obter renda com esses vídeos.

Já especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam que esse material pode levar as crianças a confundir realidade e ficção e afetar de forma significativa e permanente sua capacidade de atenção e seu desenvolvimento cognitivo e social.

O que explica essa invasão de vídeos gerados por IA no YouTube, o maior serviço de streaming do mundo?

Um dos fatores é econômico, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem.

O YouTube, por sua vez, diz priorizar o combate a conteúdos de IA de baixa qualidade e adotar regras mais rígidas para vídeos destinados a crianças.

Ainda não é possível dimensionar com clareza o tamanho e alcance deste fenômeno.

A reportagem tentou estimar a frequência com que vídeos feitos com IA aparecem para o usuário, com base no alerta visual exibido pelo YouTube para conteúdos deste tipo.