Veja a linha do tempo da crise iniciada após a publicação de troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número telefônico atribuído a Alexandre de Moraes.
Os primeiros dias de setembro estão sendo marcados por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), com os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no centro do terremoto, que abalou também a Procuradoria Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).
Na terça-feira (08/09), Mendonça decidiu afastar preventivamente o diretor da PF, Andrei Rodrigues, do cargo. O ministro do STF argumenta que Rodrigues teve uma conduta ilegal na produção de relatórios usados por Moraes para acusar Mendonça.
Um dia depois, nesta quarta-feira (09/09), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo.
Em meio a clamores pela renúncia de Moraes e acusações de que Mendonça teria atuado de forma indevida, o presidente da corte, Edson Fachin, tenta arbitrar a disputa inédita e que, segundo especialistas, pode ter desdobramentos imprevisíveis.
"Aos olhos da sociedade, o tribunal parece estar implodindo", observa Grazielle Albuquerque, jornalista, cientista política e pesquisadora de política e sistema de justiça.
"É uma crise enraizada por dentro e não parece ter saída previsível. O que se tem é impeachment. Talvez seja possível elaborar outra via, mas o desenho institucional não dá muitas possibilidades. Juridicamente é tudo muito inédito", completa a pesquisadora.
Em meio ao fluxo incessante de notícias, que é acompanhado como uma novela pelos brasileiros, relembre a linha do tempo dos acontecimentos desta semana, que podem impactar inclusive no resultado das eleições em outubro.
A crise que abala o STF teve início na terça-feira (01/09), quando um relatório da Polícia Federal (PF) sugerindo conversas comprometedoras entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve seu sigilo retirado por decisão de André Mendonça, relator do caso Master no STF.
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Parte das conversas havia sido revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo horas antes da retirada do sigilo.
A própria produção do relatório revelando as conversas foi solicitada diretamente por Mendonça à PF.
A polícia revelou conversas encontradas no celular de Vorcaro que, segundo investigadores, provavelmente tinham como interlocutor Moraes. Ambos teriam conversado antecipadamente sobre uma operação que poderia afetar Vorcaro.
Além disso, Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A BBC News Brasil mostrou que o número de telefone atribuído pela PF a Alexandre de Moraes também está associado a contas digitais identificadas com o nome do ministro.
Investigadores apontaram ainda que Moraes teria feito ajustes na minuta de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Diante do conteúdo do relatório, Mendonça pediu que o envolvimento de Moraes seja analisado pelo Plenário do STF, o que pode fazer com que este se torne formalmente investigado, em uma situação inédita para a Corte.
Ainda na terça-feira (01/09), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a André Mendonça que declarasse nula a decisão que levou a Polícia Federal a produzir o relatório sobre as mensagens que Vorcaro teria trocado com Moraes.
Na manifestação, apresentada em 1º de setembro, Gonet afirmou que a investigação determinada por Mendonça extrapolou os limites da atuação de um magistrado na chamada fase pré-processual.
Gonet sustentou que o próprio STF deveria ser responsável por decidir sobre uma eventual investigação de um de seus ministros.




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