A inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central é fato consumado. As expectativas para o futuro também pioraram, e o balanço de riscos agora embute maior chance de alta de preços acima do esperado. Todos esses elementos foram corretamente diagnosticados pelo Copom (Comitê de Política Monetária), que, ainda assim, cortou a taxa básica de juros, a Selic. Leia mais (06/23/2026 - 16h07)

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23.jun.2026 às 16h07

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Idiana Tomazelli Escreve sobre economia, com foco em contas públicas, Previdência e políticas sociais

A inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central é fato consumado. As expectativas para o futuro também pioraram, e o balanço de riscos agora embute maior chance de alta de preços acima do esperado. Todos esses elementos foram corretamente diagnosticados pelo Copom (Comitê de Política Monetária), que, ainda assim, cortou a taxa básica de juros, a Selic.

A decisão era amplamente esperada pelo mercado, mas a justificativa apresentada gerou e continua gerando confusão.

Dada a defasagem típica da política de juros, o BC deveria olhar a inflação esperada no fim de 2027, mas optou por mirar o primeiro trimestre de 2028 e se amparou nessas projeções para dar o seu veredito. Se não fizesse isso, disse haver risco de precisar promover um choque nos juros —uma inversão de direção fora do radar de todos e que certamente seria um incômodo não só econômico, mas também político.

É positivo que o comitê queira suavizar os efeitos da condução dos juros sobre a economia, e suas decisões anteriores já eram compatíveis com a busca gradual da meta de inflação. No entanto, fez falta contar quais foram as estimativas que deram ao BC tranquilidade e segurança para bancar o corte agora e levar a inflação à meta mais à frente, mesmo diante da piora de cenário narrada pelo próprio comitê.

O BC elevou sua projeção de inflação para o fim de 2027 de 3,5% para 3,7%, mas prometeu convergência à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. Tal desaceleração não aparece nas estimativas do mercado, e não há como saber em que grau ela se materializa no cenário do BC porque a instituição fez mistério em torno do dado —embora, de tão importante, ele tenha balizado a decisão do Copom.

Ao tentar convencer o mercado de que havia espaço para seguir com a redução da Selic, o BC listou mais argumentos a favor da pausa ou até do aumento da taxa, deixando de lado a única informação que poderia sinalizar o contrário. A explicação completa, pelo visto, ficou para agosto.

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