Ao desbaratar um maquinário mafioso, a Operação Última Parada expõe a face oculta das narcomilícias e obriga o Estado brasileiro a olhar de frente o inimigo que tem diante de si

A Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, investiga um esquema de instrumentalização do sistema de transporte público paulistano pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio do qual empresas de ônibus seriam utilizadas para conectar operadores financeiros e lavar dinheiro. À primeira vista, parece apenas mais um grande inquérito policial. Na verdade, a operação oferece uma radiografia em alta resolução da morfologia do crime organizado brasileiro.

O caso chama a atenção justamente porque conecta peças que costumam aparecer separadas no noticiário. Uma empresa de ônibus; planilhas clandestinas; empresas de fachada; distribuidoras de combustíveis; relações com a máfia calabresa ’Ndrangheta. Uma influencer e um vereador investigados por suposta participação no esquema surgem como engrenagens de um único mecanismo. A amplitude das conexões reveladas – do transporte urbano ao crime transnacional – é o que torna a operação singular entre as investigações recentes.