Craque tinha cidadania espanhola quando foi convocado pela primeira vez às seleções de base da albiceleste, perto de sua estreia em Mundiais
Ensaio fotográfico de quase 20 anos volta a viralizar às vésperas de Espanha x Argentina na decisão
2:53Final da Copa opõe duas gerações do Barcelona: Messi, 39, leva a Argentina; Yamal, 19, é a estrela da Espanha. Crédito: Estadão
Não é somente a foto de Lionel Messi com Lamine Yamal a única história da final da Copa do Mundo de 2026. O craque terá a missão de tirar a invencibilidade da Espanha no próximo domingo, 19, mas, por pouco, não esteve do outro lado. Se ele joga na Argentina hoje, foi por causa de uma verdadeira ‘operação’ no começo do século.
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O único clube do país que o atacante teve algum vínculo é o Newell’s Old Boys, o qual integrou o sub-13 até 2000. Naquela temporada, ainda com 13 anos, se transferiu ao Barcelona e morou na Catalunha até 2021, ano de sua conturbada transferência ao PSG. Tanto tempo lá o garantiu a cidadania espanhola e o espaço para repetir, por exemplo, Alfredo di Stéfano e atuar por ‘La Roja’, mas a Associação de Futebol Argentino (AFA) tratou de impedir.
A Argentina se preparava para disputar o Mundial Sub-17 e Messi, já no limite da idade, nunca havia disputado uma partida sequer pela seleção juvenil, tampouco era um projeto de ídolo em sua nação. Os mais aficionados e quem trabalhava com futebol na Espanha, porém, já começavam a enxergá-lo.
O craque havia passado por todas as categorias de base do Barcelona, fazia parte da equipe ‘B’ do clube catalão e estava há alguns meses de estrear oficialmente nos profissionais, em partida que seria disputada em outubro de 2004 contra o Espanyol.
Como faltava apenas um ano para ele se tornar cidadão espanhol, o jovem promissor já era disputado. O que o fez ser conhecido entre a comissão técnica da Argentina foi uma fita cassete entregue a Carlos Vivas, auxiliar do treinador da seleção à época, Marcelo Bielsa.
Em declaração ao jornal local Infobae, ele revelou que esse material foi tão surpreendente que fez o técnico questionar se estava o assistindo em ‘tempo real’. “Mostrei ao Bielsa e ele me pediu para que colocasse em uma velocidade normal. Me surpreendeu a velocidade que ele passava de 0 a 100 em dois metros e a forma que ele tinha de finalizar”, disse.
A fita foi entregue por Horacio Gaggioli, empresário próximo ao Barcelona. E se não fosse ele, era capaz de Messi passar despercebido pela AFA, ser convocado às equipes de base da Espanha e, aí, já era. Naquela época, bastava uma atuação por um país para já ficar inelegível a outros.
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Hoje em dia, as regras da Fifa permitem a mudança se o jogador tiver até três jogos por uma bandeira e menos de 21 anos. Se essa diretriz fosse a mesma da época, a federação argentina não precisaria passar pelo desespero de procurar a família do futuro ídolo.
O encarregado de fazer o contato foi Hugo Tocalli, que comandava a seleção sub-17 e já não podia mais chamá-lo ao Mundial de 2005. Bastava um jogo, porém, para garanti-lo na albiceleste. E a AFA não tinha o ‘meio-campo’ nem com ele, nem com seus parentes.
“Saí do CT, peguei uma lista telefônica de Rosário (onde Messi nasceu), fui a uma cabine e arranquei a página com os números da família Messi. O primeiro partente que localizei foi sua avó, que me deu o contato do tio e o tio me deu o contato do pai”, conta o treinador no livro: “Messi, o gênio (in)completo”.
“Me apresentei e disse que queríamos trabalhar com o filho dele, com a ressalva de que eu havia errado o nome, pois sempre ouvi que Leo era o apelido da família Leonardo”, continuou, revelando como explicou o motivo do craque, mesmo com todo o potencial, não ter sido lembrado em oportunidades anteriores.
Após isso, a AFA organizou um amistoso entre a Argentina Sub-20 e o Paraguai Sub-20, disputado em 29 de junho de 2004. Entre os chamados, o tal cara chamado Messi. A albiceleste ganhou por um sonoro 8 a 0 e o sétimo gol foi uma pintura dele, pegando a bola no meio-campo, driblando dois marcadores e depois o goleiro para tocar ao fundo da rede.
Após esse e outro amistoso, o craque foi convocado para o Sul-Americano Sub-20, chamado para a Copa do Mundo de 2006 e, a partir dali, começou a história mais vitoriosa de um jogador da Argentina desde Diego Maradona.
Jogar pela seleção de onde nasceu não foi o suficiente para Messi, instantaneamente, identificar-se com a torcida. Mesmo com todo o sucesso no Barcelona, as várias bolas de ouro e o protagonismo na equipe nacional independentemente do técnico que passava por lá, faltava algo.




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