Raquel Lyra e João Campos - Paulo Almeida/Folha de Pernambuco e Arthur Botelho/Folha de Pernambuco Com 3,87 milhões de eleitoras aptas a votar (53,6% do eleitorado de Pernambuco), o voto feminino tornou-se o fiel da balança no jogo eleitoral.
A disputa por essa maioria ficou mais acirrada após a divulgação, no último domingo, de um vídeo em que a governadora Raquel Lyra (PSD) sugeria a realização de laqueadura sem consentimento da paciente. O episódio virou estopim para mobilizações na capital e no interior. A oposição lotou o comitê da Frente Popular, no Recife, com candidatas, militantes e ativistas. No palco, discursos duros marcaram a reação coletiva em defesa dos direitos reprodutivos. O candidato João Campos elevou o tom para atingir o ativo mais sensível da adversária, e cravou: “Pernambuco jamais será terra de ‘faz sem ela saber’. Aqui, quem manda no corpo da mulher é a mulher”. A fala virou bandeira política contra a gestão. A governadora levou a reação ao seu principal berço político. Em Caruaru, cidade que administrou por cinco anos, Raquel Lyra também reuniu mulheres para demonstrar musculatura e contornar a crise. Acompanhada por apoiadoras, a candidata à reeleição reforçou sua condição de primeira governadora do estado e contrapôs a onda de críticas ao elencar entregas de governo como o Hospital da Mulher e os Programas Mães de Pernambuco e Colo de Mãe. O cenário escancara a divisão de táticas na reta final: enquanto a oposição mobiliza o Grande Recife para colar na governadora a pecha de desrespeito à autonomia feminina, Raquel Lyra recorre ao Agreste para tentar fixar a imagem de gestora que tem políticas públicas para as mais de 4,7 milhões de pernambucanas.



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