Substituir o critério de qualidade de saber jurídico por critério de amizade ou proximidade política, deu em desastre moral - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acerta centralizando investigações dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. No caso de Alexandre de Moraes, diante de indícios que o envolvem, ele deveria abrir seus sigilos bancários. Ao inverso, pediu investigação contra o colega, André Mendonça. No caso deste ministro, o presidente do Supremo, Edson Fachin, agiu de igual modo. Trouxe também para seu gabinete a investigação que Mendonça fazia sobre fraudes no INSS e o banco Master. Assim, Fachin esvaziou parte do poder que inflava o conflito entre Moraes e Mendonça.
Na verdade, esse confronto configura capítulo da batalha entre os grupos do presidente Lula e o do ex-presidente Jair Bolsonaro. No rastro da poeira levantada pela campanha da eleição presidencial. O episódio tomou feição mais larga. Sorte que o Supremo esteja sob direção de ministro isento e sério, como Edson Fachin. O inquérito das fake news é parte desse enredo. Em 08.02.2019, a Receita Federal analisou variação patrimonial do ministro Gilmar Mendes e sua mulher. No dia 25.02.2019, vazou informação sobre variação patrimonial da mulher do ministro Dias Toffoli. A informação, protegida por sigilo fiscal, foi vazada irregularmente. No dia 26.02.2019, a Receita acentuou não ter encontrado indícios justificando investigações contra os ministros e suas mulheres. Esse foi o começo do inquérito das fake news. Os bolsonaristas pediam o fechamento do Supremo. Ao longo do tempo, foi ficando claro que, menos que defender a democracia, o inquérito servia mais a autopreservação de ministros e familiares. O inquérito completou sete anos. Era presidido pelo ministro Moraes. Até a decisão de 04.09.2026, do ministro-presidente, Edson Fachin. Antes de ser substituído pelo presidente do STF, o ministro Alexandre de Moraes censurou reportagem da revista Crusoé; determinou que o Fisco rastreasse acesso aos dados de ministros e uma centena de parentes; quebrou o sigilo da fonte de um jornalista que publicou reportagem sobre familiares do ministro Flavio Dino. Historicamente, quebrou-se tradição de nomear ministros, por critério técnico, para o STF. Até o governo de Fernando Henrique Cardoso, os escolhidos para ministros do Supremo obedeciam a dois critérios: reconhecido saber jurídico e ilibado conceito moral. A partir da gestão de Fernando Collor, tal critério foi sendo abandonado. Com a nomeação de seu parente, Celso de Mello. Os presidentes da República, que se seguiram, nomearam ministros do STF sob critério da amizade pessoal. Foi assim com Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula III.




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