Quando a bola rolar para Arsenal x Coventry City, às 16h (horário de Brasília) desta sexta-feira, a Premier League começará uma nova era. Depois de uma dé...
Quando a bola rolar para Arsenal x Coventry City, às 16h (horário de Brasília) desta sexta-feira, a Premier League começará uma nova era. Depois de uma década, o Campeonato Inglês terá início sem a presença de Pep Guardiola, atualmente no mercado.
Em dez anos à frente do Manchester City, o catalão conquistou seis vezes o título inglês, incluindo um inédito tetracampeonato seguido, entre 2021 e 2024. Foram ainda 11 títulos entres Copas (5 Copas da Liga e 3 Copas da Inglaterra) e Supercopas (3), além da Champions League, do Intercontinental e da Supercopa da Europa, todos em 2023.
Na terra que se orgulha de ter criado e escrito as leis do jogo, Pep mudou regras que pareciam inerentes à forma com que os ingleses entendiam o futebol.
A começar pela saída de bola. No futebol que ficou conhecido pelo "kick and rush" — chutar e correr, em português —, Guardiola transformou, por exemplo, a forma como os goleiros participavam do jogo.
Quando o catalão chegou à Premier League, na temporada 2016-17, 75% dos tiros de meta de todos os times tinham como alvo o campo do adversário. Em 2023-24, o número tinha caído para 40%, segundo dados da Opta.
O brasileiro Éderson foi a cara desta revolução no Manchester City, mas o estilo de sair jogando com passes curtos virou moda em três quartos dos times da liga. Com passes mais curtos, a precisão também aumentou entre os goleiros: era de 58%, chegou a 73% em 2023-24.
Na temporada passada, quando o City perdeu o título, a média geral caiu: 68%. A influência fica óbvia quando a mesma curva pode ser observada na Championship, a segunda divisão inglesa. Os 56% de precisão dos passes de goleiros em 2016-17 chegaram a 72% em 2023-24.
Para além da saída de bola, a Era Guardiola também viu a Premier League se transformar em uma liga de mais passes e com a maioria das equipes tentando controlar a posse de bola, dando menos chances de recuperação aos adversários.
Um dado que resume bem esse impacto é o número de posses de bola com mais de dez passes. Entre as temporadas 2011-12 e 2016-17, a primeira de Guardiola no City, a média dos clubes da Premier League era de 8,75 por equipe a cada partida. Entre 2017-18 e 2025-26, o número subiu para 11,03, um aumento de 26%.
O Manchester City puxou a fila deste aumento, com uma média de 23,5 jogadas com mais de dez passes na década sob o comando do catalão; os dados são do DribLab. O número total de passes também cresceu: de 970 no último ano antes de Guardiola para 1.030, na temporada 2020-21.
Recentemente, os números de passes e jogadas longas voltaram a cair, porque o próprio City passou a ser uma equipe de transição mais rápida, com passes mais verticais. A adaptação às novas demandas táticas do futebol fez o treinador mudar seu jeito — e os outros times também acompanharam a tendência.
Os números dizem muito do que Guardiola simbolizou para a Premier League, mas eles são apenas uma parte da equação. Enquanto o treinador mudava o tamanho do Manchester City, ele também transformava a própria liga.
Três dos candidatos ao título deste ano terão treinadores que tiveram influência direta do catalão em suas carreiras.
A começar pelo Arsenal, atual campeão inglês. Mikel Arteta foi auxiliar de Guardiola durante as três primeiras temporadas no Manchester City, até deixar o clube para assumir o Arsenal, no fim de 2019.
O Chelsea, um dos times cujo estilo mais foi influenciado indiretamente por Pep, também recorreu ao espanhol Xabi Alonso, que trabalhou com o mestre nos tempos de jogador do Bayern de Munique. Como técnico, o basco já conquistou uma Bundesliga — em 2023-24, com o Bayer Leverkusen —, mas durou apenas meia temporada no Real Madrid.
Por fim, o próprio Manchester City optou por um projeto "continuísta": o escolhido foi o italiano Enzo Maresca, auxiliar de Guardiola na temporada 2022-23, quando o clube conquistou a Champions League, a Premier e a Copa da Inglaterra. O conhecimento do clube e do estilo do seu antecessor foi um fator decisivo.
A Premier League que começa nesta sexta será a primeira sem Guardiola em uma década; mas é impossível não ver sinais do treinador hexacampeão por todos os lados.
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