As eleições no Brasil marcam o início de um “comboio de eleições” neste último trimestre de 2026: além das presidenciais brasileiras, ocorreram, há ...
Vereadora na Câmara Municipal de Lisboa eleita pelo PS
CopiedSiga-nosAs eleições no Brasil marcam o início de um “comboio de eleições” neste último trimestre de 2026: além das presidenciais brasileiras, ocorreram, há três dias, eleições em Israel, no dia 3 de novembro realizar-se-ão as mid terms nos EUA e depois, em 29 de novembro, há eleições legislativas em Espanha.
No Brasil, maior país da América Latina, a enorme vitória de Lula depois de uma derrota no primeiro turno, é a vitória da Democracia, da liberdade e da igualdade e abre uma nova esperança para os democratas e progressistas de todo o mundo que não se resignam perante a violência, a discriminação e o autoritarismo da extrema-direita e da direita radical. O resultado traduz também a rejeição da subserviência à América de Trump, que hoje controla vários países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Venezuela, Peru, Colômbia, Chile). Claro que Flávio Bolsonaro recusou aceitar a derrota e já fugiu para os EUA, com a conivência de Trump e de Milei. Pelo menos assim não chegará ao extremo de instigar um golpe de estado, como o seu pai fez há quatro anos.
No mesmo dia, na Sérvia, a “Lista dos Estudantes”, que resultou de um movimento popular de jovens universitários, venceu Vucic, o candidato nacionalista e populista pró-Putin, que já governava aquele país desde pelo menos 2014.
Em Israel, apesar do partido Likud de Netanyahu ter vencido as eleições, é improvável que consiga formar governo, uma vez que perdeu a maioria no Parlamento. Os cenários de governabilidade estão ainda em aberto, mas se Netanyahu deixar de ser primeiro-ministro talvez se possa sonhar com a paz na Faixa de Gaza.
As eleições intercalares nos EUA, nas quais estão em causa todos os lugares na Câmara dos Representantes e um terço do Senado, bem como os governadores de 36 Estados, ocorrem a meio do mandato de Trump e serão um referendo nacional à sua Administração. A aprovação presidencial está em mínimos históricos (pouco acima dos 30%) e uma derrota dos republicanos seria um sinal de que os americanos já não se revêm maioritariamente num autocrata impreparado, narcisista e mitómano que está a lançar o mundo num abismo político, económico e social. Além de que uma maioria democrata no Congresso ajudaria a moderar a política externa norte-americana.
Em Espanha, o resultado das eleições é muito incerto, porque o governo sofre de um enorme desgaste e o trágico acidente ferroviário ocorrido esta semana pode ter um grande impacto eleitoral. Ainda assim, Sánchez é a única voz verdadeiramente progressista que está no poder em toda a Europa.
No Reino Unido, o Reform UK do populista de extrema-direita Nigel Farage desceu para terceira força política nas últimas sondagens, e tem vindo a perder intenções de voto, em grande parte devido à ascensão do novo primeiro-ministro trabalhista Andy Burnham.
Estes atos eleitorais podem vir a traduzir-se num momento de viragem política, contrariando a tendência de domínio de forças radicais e extremistas de direita em grande parte do mundo.
Nota: As cargas policiais, com utilização de cães, bastões, tasers e balas de borracha contra manifestantes pacíficos não podem deixar ninguém indiferente. A intervenção repressiva ordenada pelo Governo põe em causa o direito de manifestação e a violência das imagens causa indignação e revolta.




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