Mercado financeiro espera que Flávio Bolsonaro, se eleito, escolha um nome de seu território para o comando da economia. Saiba o motivo

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O mercado financeiro já movimenta nomes para o Ministério da Fazenda, caso Flávio Bolsonaro chegue ao poder. Marcelo Kayath, ex-Credit Suisse, é cotado, com debate sobre sua capacidade de assegurar um ajuste fiscal rigoroso. A Faria Lima busca um nome com autonomia para defender austeridade contra gastos, mesmo com o poder do Congresso.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O mercado financeiro é pragmático e, por isso, não espera a definição das urnas para começar a precificar cenários, testar nomes e exercitar influência. No caso de Flávio Bolsonaro, por exemplo, entre os nomes que já circulam nas conversas de banqueiros, gestores e sócios de corretoras para eventualmente assumir o Ministério da Fazenda está o de Marcelo Kayath, ex-executivo do Credit Suisse e fundador da QMS Capital.

Mais que uma escolha de currículo, a disputa em torno do posto revela a prioridade da Faria Lima: assegurar que o próximo comandante da política econômica tenha compromisso com um ajuste fiscal de viés contracionista. Melhor ainda se for alguém das próprias fileiras do mercado. Em oposição, o governo Lula é visto como propenso ao aumento de gastos, o que geraria mais pressão sobre a regra fiscal.

Mesmo sendo alguém do mercado, Kayath ainda não parece ter a unanimidade entre seus pares. “Eu gosto dele. Mas a formação é sales. Mas para a função deve funcionar até melhor que um economista puro-sangue”, disse um banqueiro, em conversa com a coluna. Neste caso, a leitura é de que um ministro com experiência de mercado, bom trânsito institucional e capacidade de comunicação poderia ajudar a sustentar uma agenda fiscal dura — sobretudo se tiver respaldo político do presidente para negociar cortes, rever subsídios e defender metas de resultado primário.

A posição de outros interlocutores para a coluna já é mais cuidadosa. “O mercado está dividido. Não em relação a outro nome. Mas se ele é bom ou não”, afirmou um deles. “Acho que qualquer nome de mercado seria bem-vindo. Ele, especificamente, não sei no que acredita, mas se seguir o consenso da Faria Lima vai pregar um fiscal mais apertado”, sustentou outro banqueiro.

A ressalva expõe o ponto decisivo: a origem profissional do ministro é importante; mas será preciso saber se ele terá ou não convicção, autonomia e capital político para defender uma política fiscal restritiva quando ela colidir com demandas por gastos e medidas populares.

O debate ganha força porque o programa de Flávio Bolsonaro já fala em reformular as regras fiscais, estabilizar e reduzir a dívida pública, alcançar superávits primários e promover cortes de despesas. A campanha menciona um “ajuste fiscal forte” e um “tesouraço”, mas ainda sem detalhar integralmente o desenho, a dimensão e o calendário das medidas. Daí a disputa por nomes. “Bettamio é nome melhor. Perfil de trato, experiência”, disse outro banqueiro, em referência a um segundo candidato ao posto de ministro da Fazenda: Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America. Outro nome ainda cotado e com forte aprovação entre os banqueiros: Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES na gestão de Jair Bolsonaro.

A Faria Lima, em suma, começa a fazer lobby não apenas por um ministro de mercado, mas por alguém capaz de transformar a promessa de austeridade em política fiscal efetiva. Para isso, porém, terá de combinar o jogo com um Congresso que ampliou seu poder sobre o Orçamento e preserva uma parcela relevante de despesas impositivas, a exemplo das emendas parlamentares.