O advogado Marco Aurélio Carvalho, da defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse ele precisa ser intimado para vir ao Brasil prestar esclarecimentos e que ele nunca auxiliou nenhuma empresa a conseguir contratos junto à administração públ…

O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, precisa ser intimado para vir ao Brasil prestar esclarecimentos e que ele nunca auxiliou nenhuma empresa a conseguir contratos junto à administração pública. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mora na Espanha e é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que foram abertos após desdobramentos da investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Leia também:Revelação de novos fatos sobre ex-chefe de gabinete de Lula preocupa campanha petista'Sou a favor de passar a régua em quer que seja', diz HaddadCampanha de Flávio quer explorar caso Lulinha e Marcola

O caso tem sido explorado pela oposição e gerado preocupação no comitê de reeleição do petista, pelo fato de colocar a temática da corrupção no centro da campanha.

“O Fábio não tem relação direta ou indireta com nenhum tipo de negócio que envolva a administração pública brasileira, ou qualquer outra administração pública. Isso é importante frisar, não é surpresa, os autos da investigação comprovam o que nós estamos afirmando. Não há nenhum indício, dúvida razoável ou fato que comprove o contrário”, afirmou o defensor ao Valor.

O advogado criticou ainda os vazamentos de diálogos e trechos dos inquéritos envolvendo o filho do presidente e lembrou que ele já havia colocado os sigilos bancário e fiscal à disposição das autoridades antes mesmo de a Polícia Federal (PF) ter solicitado as quebras.

“Para que a gente possa vir, nós temos que ser, evidentemente, chamados a comparecer em juízo, nas instâncias de investigação administrativa, seja quais forem, e nós temos que ter acesso integral aos autos, para prestigiar o sagrado direito de defesa”, disse Carvalho.

O filho do presidente vive na Espanha desde 2025 e sua defesa alega que ele se mudou para lá antes mesmo da deflagração da Operação Sem Desconto, investigação que mira a prática de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

Para ele, os vazamentos recentes que ocorreram sobre trechos da investigação remetem ao período da Operação Lava-Jato, investigação que levou Lula à prisão e depois foi anulada pelo STF. “O fato é que parte da corporação [PF] foi instrumentalizada por interesses políticos eleitorais e isso nos remete ao que houve de pior na Justiça com a finada Operação Lava-Jato.”

Mensagens que constam nos pedidos de abertura de inquéritos contra Lulinha foram divulgadas recentemente pela imprensa e expuseram conversas entre ele e a empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista. Entre os diálogos, há conversas dos dois em 2024 afirmando que o futuro deles seria a “Suíça”.

Os diálogos indicam também que eles podem ter se reunido com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Também há nos autos conversas entre Roberta e Marcola que mostram que a lobista comprou joias para o então assessor de Lula, além de uma mensagem em que ela compartilha com Marcola uma minuta de contrato de venda de canabidiol.

A tentativa de vender a substância para o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de uma empresa que pertencia ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi um dos casos que a PF chegou a investigar na Sem Desconto. O negócio, porém, não se concretizou.

A interlocutores, Marcola nega que tenha repassado o documento a outras pessoas. O ex-assessor já admitiu publicamente ter recebido dinheiro de Roberta enquanto ocupava a função, mas disse que foi um empréstimo e que foi quitado por ele, no valor de R$ 249 mil. Ele, no entanto, deixou a equipe da campanha de Lula à reeleição depois que o caso veio à tona.

Além desses diálogos, a PF ainda encontrou conversas de Roberta afirmando: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”. Para a corporação, há indícios de que a lobista teria autorização para atuar em nome doe Lulinha.

Para Carvalho, caberia a Roberta explicar a menção ao filho do presidente. “Estão defendendo a ideia de que Roberta falou em nome dele, mas isso é ela que precisa explicar, porque o inquérito não consegue comprovar uma única reunião, um único telefonema, uma única gestão dele na defesa de qualquer tipo de negócio.”

A PF pediu a abertura de três inquéritos contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência em diferentes áreas do governo federal. Dois deles ficaram sob a relatoria do ministro André Mendonça e outro está com Flávio Dino.

Procurada, a defesa de Roberta também criticou os vazamentos. “Os autos estão sob sigilo, os vazamentos enfraquecem as investigações, atrapalham a justiça e tem sido utilizados politicamente“, disse o advogado Roberto Podval. A defesa de Marcola não se manifestou. A PF disse que não iria comentar as acusações de vazamento.