Suspensões são informadas no site da OAB OAB/Reprodução Os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco tiveram os seus registros na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspensos e estão impedidos de exercer a profissão por supostamente terem deix…

Suspensões são informadas no site da OAB — Foto: OAB/Reprodução

Os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco tiveram os seus registros na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspensos e estão impedidos de exercer a profissão por supostamente terem deixado de repassar valores de ações judiciais ganhas a clientes.

As suspensões foram determinadas pela 17ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina e divulgadas nesta quinta-feira (27). A medida preventiva tem prazo de 90 dias. O caso tem sido investigado pela própria OAB, por meio de procedimento interno, e pela Polícia Civil.

Em julho de 2026, o g1 noticiou que os advogados foram condenados a pagar R$ 239,5 mil a um cliente que não recebeu o valor ganho em uma ação trabalhista de 2014. Cabe recurso da decisão.

Thais e José Antonio Cremasco — Foto: Reprodução/EPTV/Divulgação

Na Polícia Civil, há pelo menos nove inquéritos de mesmo teor. Um deles, em 2025, foi instaurado após denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Em nota, a OAB confirmou as suspensões e ressaltou apura todas as infrações disciplinares, por representação ou por fatos divulgados publicamente. Os processos são sigilosos.

Por sua vez, José Antonio disse que tem "absoluto respeito pela OAB e pelas instituições" e afirmou que a decisão "será tratada pelos meios jurídicos adequados, nos quais serão apresentados todos os esclarecimentos e fundamentos pertinentes".

"Neste momento, por cautela e respeito ao próprio procedimento, prefiro não discutir publicamente aspectos específicos do processo. Ao longo de mais de quatro décadas de advocacia, sempre pautei minha atuação pelo respeito aos clientes, à Justiça e às instituições, e seguirei exercendo plenamente meu direito de defesa", completou.

Já Thaís disse que recebeu a decisão "com respeito, mas com preocupação". Ela declarou manter confiança na Justiça, nas instituições democráticas e na própria OAB, destacando a atuação histórica da entidade na defesa das liberdades e das garantias fundamentais — leia manifestação completa abaixo.

A advogada também afirmou que sua trajetória profissional não pode ser resumida ao episódio que resultou na punição. Segundo ela, sua atuação foi marcada pela defesa dos direitos das mulheres, da população negra e de grupos socialmente vulneráveis.

“Não quero e não posso acreditar que a Ordem dos Advogados do Brasil possa reproduzir, ainda que involuntariamente, mecanismos de violência institucional contra uma mulher advogada”, afirmou.

No comunicado, ela informou que irá recorrer da decisão por meio dos instrumentos jurídicos e institucionais previstos. A advogada defendeu que o questionamento da medida não representa um ataque à OAB, mas o exercício legítimo do direito à ampla defesa e à revisão de decisões.

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